segunda-feira, 20 de abril de 2015

OS MELHORES LIVROS DE XADREZ



RESUMO DOS MELHORES LIVROS DE XADREZ QUE RECOMENDO:

Resolvi fazer um resumo dos livros de xadrez que recomendei o estudo em outro tópico, bem como as razões disso.



1) Six Hundred Endings, Lajos Portish e Balázs Sarkozy



Trata-se de um excelente livro de finais, contendo 600 diagramas, da Editora Pergamon. Apesar de difícil de achar esse livro, seu estudo vale a pena, mesmo sendo em inglês, porque ao repassar todos os diagramas, que contém pouco texto, o enxadrista adquirirá uma visão quase que mecânica dos finais. Solucionará os mesmos com extrema facilidade em jogos de torneios. O sistema de anotação é o descritivo.







2) Jogo de Posição, do Eliskases. Obra clássica, antiga (de 1943), 280 páginas (edição brasileira). Inobstante isso, é um livro fabuloso, cujo estudo nos dias atuais ainda é recomendadíssimo para se compreender os conceitos da estratégia clássica (antiga). Trata-se de um livro imanente ao tempo. O autor apresenta com extremo didatismo as noções da estratégia, descobertas por Steinitz, e faz isso de uma maneira simplesmente brilhante. Tem-se a impressão de que estamos diante de um excelente professor de matemática, traduzindo para os estudantes equações difíceis e até então incompreensíveis. Recomendo que se estude o livro mesmo, sobre um tabuleiro comum, repassando inclusive as várias variantes que as partidas contém, pois isso treina a visão de jogo. A notação é em sistema descritivo, ou seja, mais uma dificuldade para o enxadrista novato, acostumado ao sistema algébrico.







3) Táctica Moderna en Ajedrez, Volumes 1 e 2.





 São dois espetaculares livros de tática, de 1972. Apesar de serem antigos, continuam sendo imanentes ao tempo, naquilo que pretendem ensinar. Os temas táticos são ricamente abordados e os capítulos ainda possuem no final deles, dezenas de diagramas para que o estudante os solucione. Recomendo que tentem solucioná-los sem mexer as peças, só olhando a disposição delas sobre o tabuleiro. Esse livro não envelheceu, porque tática é que nem equação de matemática. E a coleção que Pachman juntou, da forma didática com que a expôs, continua sendo o melhor início para se conhecer o assunto por meio de livros (lembro que há também excelentes programas de computador que treinam tática). Em notação descritiva.
Importante destacar: há quem critique Pachman. Talvez por ter sido melhor autor de livros de xadrez, do que jogador, uma vez que apesar de ter sido grande mestre, não chegou a ser campeão mundial, nem vice. Mas a verdade é que seus livros são imprescindíveis para a evolução do enxadrista amador. Esses dois de tática por exemplo, simplesmente não há nenhum outro apanhado de diagramas sobre o assunto, melhor do que esse, para tirar o enxadrista novato, de seu desconhecimento do assunto, elevando seu nível notavelmente. O sistema de anotação é o descritivo.

4) El Ajedrez de Torneo, David Bronstein. A edição que eu tenho é essa da foto, do ano 2000. Mas a primeira edição é de 1984 e consta ainda que houve uma edição de 1983, em russo, além de uma em inglês, com o título Zurich 1953. Isso é importante, porque temos um Bronstein com a visão de 1984 analisando partidas do ano de 1953, ou seja, ele vai mostrar traços do desenvolvimento do moderno estilo de se jogar xadrez já nas partidas antigas. É bom que eu informe que corre um boato na Rússia que Bronstein não escreveu esse livro, que apenas emprestou seu nome como autor, mas isso não tira o mérito de ser um livro massudo, com 541 páginas e excelente!
Ajedrez de Torneo possui 210 partidas comentadas. Elogiadíssimo por muitos grandes mestres, é considerado por muitos, o segundo melhor livro de xadrez já escrito (o primeiro seria o Minhas 60 Melhores Partidas do Fischer, com o que não concordo, em relação ao do Fischer, como expliquei no item 44).
Vale muito a pena estudar o El Ajedrez de Torneo, pois o enfoque é para torneios. Dá para sentir, na narrativa do autor, toda a tensão, todos os pensamentos, que passam pelas mentes dos jogadores, durante um duro confronto.
O ponto alto do Zurich 1953 ou Ajedrez de Torneo é que ensina a planejar! A coisa mais difícil no xadrez é aprender a elaborar planos. Os livros de xadrez se dividem em: livros de aberturas, de tática e estratégia e de finais, mas raramente vemos livros que abordam as 3 fases, estabelecendo link's entre elas. El Ajedrez faz isso e, em cada uma das partidas desse livro, o autor vai demonstrando ao estudante, com rara capacidade pedagógica, o que pensou cada "maestro", ao fazer determinada jogada.
É meio paradoxal o que vou escrever, mas a verdade é que muitos livros de Estratégia, ensinam tudo, menos a planejar. São livros que ensinam a avaliar as fraquezas de uma posição, as estruturas de peões, se há bispos bons ou maus, se as torres carecem de colunas abertas ou semiabertas, se um dos jogadores saiu cedo demais com a dama... Mas não ensinam a planejar. Falta justamente aquilo que Bronstein ensina em cada uma das partidas que comenta no seu Zurich 1953, que é dizer, por exemplo "o plano das pretas é o seguinte...", ou "o cavalo branco faz um pulo estranho em a3, porque a ideia das brancas é voltar esse cavalo para c2 e depois d4, para chegar a f5 e atacar o roque preto... plano esse muito lento!".
A gente lê ensinamentos assim, nos comentários de Bronstein. E nisso ele vai ensinando, de fato, o estudante a planejar, a criar planos sobre o tabuleiro.
O livro ainda desvenda os signos das modernas partidas de xadrez, mesmo analisando partidas de 1953, como aqueles lances que parecem estranhos para quem estudou algum livro antigo de estratégia, mas que fazem todo sentido, ante o xadrez dinâmico dos dias de hoje.
Bronstein ainda é humilde e chega ao ponto de, ao comentar suas próprias partidas, a assumir desde o início, que um grande mestre quando analisa suas próprias jogadas, costuma dizer que os erros do adversário são "evitáveis", ao passo que os próprios, seriam quase que "impossíveis de não cometer". Logo em uma de suas primeiras partidas comentadas, ele de cara afirma que não conseguiu vantagem nenhuma, exceto quando já se aproximava do final. Isso se chama lucidez.

Minhas críticas ao livro:
a) Quanto à editoração, à colagem das folhas, uma vez que o livro é imenso, tem 541 páginas e as folhas não foram costuradas ao miolo do livro, pela Editora Club de Ajedrez, e se desprendem com o manuseio. Ou seja, após estudá-lo uma vez, o estudante terá de providenciar uma nova cola para a lombada prender as páginas, já que costurar, pode inviabilizar o manuseio, uma vez que as páginas não observaram espaço adequado das margens. Mas foi justamente essa edição econômica que possibilitou o acesso mais fácil a esse livro;
b) A qualidade do papel usado nessa edição abaixo, amarela rápido, dando a impressão que você está estudando um livro de cem anos, cansa os olhos;
c) Algumas variantes de partidas, tem erros e lances impossíveis, o que demonstra que não houve uma revisão antes de lançar esse livro e o que obriga quem estuda, a ficar procurando a partida na internet e ir corrigindo a lápis esses erros. Os erros na transcrição dos lances, já começam nas partidas e variantes da nota de introdução do livro.









5) Gane Combinando, Volkhard Igney.  Esse livro faz parte da coleção de manuais oficiais da federação alemã de xadrez (que nem o que comentarei a seguir). Trata-se de um delicioso livro de combinações táticas, onde o estudante estudará com prazer essa fase do jogo, porque inclusive o autor, cuidadoso, chega ao ponto de colocar pistas para que o estudante solucione os diagramas antes mesmo de fornecer as respostas. Está aqui um bom livro de tática para o jovem enxadrista, mais moderno que os do Pachman.







6) Entrenamiento Sistemático em Ajedrez, Sergiu Samarian. Quem procura um bom livro de estratégia mais moderno que o Jogo de Posição, este é um deles. Também é um dos manuais ditos oficiais da federação alemã de xadrez, o livro trata dos principais temas estratégicos, com partidas normalmente mais modernas (o livro é de 2008). Recomendadíssimo o seu estudo. O único problema que achei, ao iniciar seu estudo, é que as variantes principais não estão bem destacadas das sub-variantes, sendo que às vezes eu me perdia no estudo, mas tirando isso, ótimo livro.

7) Los Secretos de La Estrategia Moderna en Ajedrez, John WatsonTrata-se de um moderno livro de estratégia, já eleito como o melhor livro do ano em que foi primeiro editado (1998), já disponível em português. O autor traça um interessante estudo sobre o que mudou em se tratando da estratégia antiga, clássica, e a moderna. Questiona muitos dogmas de Steinitz e Nimzowitch, demonstra que certas “verdades” da estratégia antiga são relativas, mostra muito do que mudou no xadrez de ontem para o de hoje, abordando inclusive algumas inovações em se tratando de aberturas. Muito bom livro, mas não espere encontrar nele uma exposição metódica sobre os elementos da estratégia clássica. O autor já explica logo na introdução do seu livro, que este não se destina a isso. O enfoque deste livro é outro, destina-se a mostrar que certos dogmas da estratégia antiga, foram revistos. Ou seja, o autor parte do pressuposto de que o leitor já conhece temas como "abertura de colunas frente ao rei adversário", "domínio de torres sobre colunas abertas", "fraquezas de peões", "saída prematura de dama", "peão passado", "maioria na ala da dama", etc. Ou seja, quem nunca estudou na vida um livro de estratégia, faria bom negócio ao estudar primeiramente um livro mais antigo, como o Estratégia Moderna do Xadrez do Pachman (que nem é mais moderna, vez que é de 1967) ou o Jogo de Posição do Eliskases, antes de estudar este do Watson. Isso porque o autor cita principalmente o Pachman e o Nimzowitsch (cita os livros desses jogadores, a saber, Estratégia moderna do xadrez e Meu sistema) e nem sempre perde tempo demonstrando por que os estrategistas antigos pensavam de uma determinada maneira, simplesmente já se enfoca no que as ideias anteriores foram modificadas no jogo de xadrez do século XXI.


Talvez me faltem palavras para expressar o quanto o lançamento deste livro foi importante para a cultura enxadrística mundial. Estaria, quem sabe, superestimando essa obra ao afirmar que foi o livro de xadrez mais importante desde que Nimzowitsch escreveu Meu  Sistema? Acho que não.

Vou tentar uma explicação para que o neófito enxadrista entenda: ao estudarmos os livros Meu Sistema do Nimzowitch + Estratégia do Pachman + Jogo de Posição do Eliskases e repassarmos ao tabuleiro uma partida de um jogador clássico, como Capablanca, ou Lasker ou até mesmo do próprio Eliskases, conseguimos identificar os signos da partida, porque estes 3 livros clássicos mostram de maneira didática esses signos, essas regras. Pois na época em que foram escritos, os enxadristas jogavam sob essas regras. Mas após estudar estes 3 livros e tentar, por exemplo, analisar uma partida de um desses grandes mestres atuais, como, por exemplo, um Cheparinov, pode ser que ao se chegar no final da partida, você diga "não entendi nada, absolutamente nada, como Cheparinov venceu". Simplesmente porque o xadrez mudou, simplesmente porque os jogadores modernos já não seguem à risca as regras da clássica estratégia e coube a John Watson, entre outros, mostrar  o que mudou desde então. Dai porque este livro é importante se o estudioso quiser tentar entender uma partida de xadrez jogada por grandes mestres da elite enxadrística do final do século XX e início deste século XXI.

O mesmo livro, já editado e traduzido para o português, perdoem-me as críticas a seguir, mas tenho de fazê-las, já que comento também edições.














Segredos da moderna estratégia de xadrez, Editora Ciência Moderna, Coleção Gambit, 2010: Atualizei esta resenha hoje, dia 16.10.2015 para dizer que chegou hoje a minha edição em português desse livro do John Watson. Olhando o livro, parece-me bem editado ao menos fisicamente, um calhamaço de 520 páginas, bela capa, bela diagramação. Mas o velho defeito dos livros de xadrez da Editora Ciência Moderna, já são notados logo na introdução: parece que simplesmente pegaram um texto em inglês, jogaram em um tradutor do google e publicaram!

Uma lástima isso. O livro começa com uma introdução com tradução confusa, usando expressões que mostram que um enxadrista brasileiro NÃO fez a revisão, ou seja, a tradutora e o revisor  à evidência são leigos em matéria de xadrez. Notei logo na introdução, além da péssima redação de quem traduziu, erros, como não mudar a abreviatura N de knight, cavalo em inglês, para C (prova de que o livro foi editado às pressas), notei expressões estranhas como  "Colunas de abertura como fator de ataque ao rei", quando o termo certo é "Colunas abertas", enfim, ao mesmo tempo que felicito a editora por editar livros de xadrez dessa qualidade, critico a finalização do trabalho, que deveria ter sido revisado por um enxadrista.

Há erros ridículos da tradutora, como "A Defesa Nimzo-Reidian" (página 152). Eu nunca ouvi falar! Seria Nimzo-índia ou Índia do rei? Só repassando a partida para saber. Antes tivessem traduzido a partir da edição em espanhol, pois cometeriam menos erros. Pois parece que a tradução foi feita a partir da edição em inglês e não se deram ao trabalho de dar sentido enxadrístico a algumas frases, ignorando que xadrez é também uma ciência, com termos técnicos que são do conhecimento apenas dos enxadristas, ou seja, não dá para fazer uma tradução linear de qualquer jeito.

Lamentável a tradução feita pela Sra.Nancy Juozapavicius. Há vários exemplos que eu poderia fornecer, mas destacarei um: na página 124, no importantíssimo e sempre instigante tema "bispos de cores opostas", sob o título CORES OPOSTAS SE ATRAEM, Nancy traduziu "bispos de distintas cores", como "bispos improváveis" (?).

Um pequeno trecho da tradução esquisita de Nancy Juozapavicius: "(...)Em livros mais antigos, costumávamos ler comentários sobre partidas nas quais Bispos improváveis surgiam na abertura ou no início do Meio-Jogo, com alegações, por exemplo, 'essa linha tende a ser empate por causa dos bispos de cores opostas'. Mas não somente os deuses colocaram o Meio Jogo, também vimos grandes mestres vencerem a maior parte dos finais de aparência inocente com Bispos improváveis...".

Na edição em espanhol, esse trecho está assim: "(...) En los libros antiguos, solíamos leer comentarios de partidas donde surgían los alfiles de distinto color en la apertura o el temprano medio juego, afirmando, por ejemplo, 'esta variante tiende al empate a causa de los alfiles de distinto color'. Pero no sólo los dioses colocaram el medio juego antes del final, sino que hemos visto a los Grande Maestros ganar los finales en aparencia más inocentes, con alfiles de distinto color.".

Ou seja, uma tradução correta do trecho citado, deveria ser assim: "(...)Em livros mais antigos, costumávamos ler comentários sobre partidas nasquais Bispos de Cores distintas surgiam na abertura ou no início do Meio-Jogo, com alegações, por exemplo, 'essa linha tende a ser empate por causa dos bispos de cores opostas'. Mas não somente os deuses colocaram o Meio Jogo antes do final, também vimos grandes mestres vencerem finais aparentemente inocentes com Bispos de Cores Opostas...

A tradutora fez uma tradução sem sentido e ainda colocou informações (" também vimos grandes mestres vencerem A MAIOR parte dos finais") DELA! Que não consta do texto original. Watson nunca disse no original, que os mestres passaram a vencer a maior parte dos finais de bispos de cores opostas, na atualidade. Mas que o autor tem visto mestres vencerem finais desse tipo.

Perceberam? A tragédia... rs.

Penso eu que se for um enxadrista novato, decerto não entenderá que Bispos Improváveis seja a tradução de Bispos de Cores Opostas. E a tradutora comeu do texto a expressão "... antes do final", o que deixou sem sentido a frase.

Essas falhas de tradução acontecem no livro todo, infelizmente. E não precisa ser mestre ou grande mestre, para se revisar tradução de um livro de xadrez.  Basta que seja enxadrista já experiente, que já tenha estudado livros em inglês, espanhol e português. Nisso pecou a Editora Ciência Moderna.

Contudo, entretanto, dá para estudar a edição em português, mas eu sigo preferindo a edição em espanhol, aliás, se tivessem traduzido do espanhol, penso que os erros seriam mínimos.


8) Estratégia Moderna no Xadrez, Ludek Pachman. Ótimo livro de estratégia clássica, de 1969, já lançado em português, infelizmente disponível apenas em sebos e livrarias antigas, pois não foi reeditado. Trata-se de um clássico sobre estratégia, abordando os mesmos temas do Jogo de Posição de Eliskases, mas tratando de mais alguma coisa, como ataque da minoria, roque, jogo psicológico. Eu sempre recomendei que estudassem primeiro este livro, antes de estudar os novos de estratégia, porque, na minha opinião, foi e continuará sendo o melhor livro de estratégia que já estudei. Essa obra tem o poder de tirar o jogador do nível iniciante, para aficcionado forte, se for estudado adequadamente, com livro, tabuleiro, repassando todas as variantes. Acho oportuno dizer, aos detratores do Pachman, que dizem que é antigo e tal, primeiro que quando veio aqui na minha cidade ministrar uma simultânea, o então campeão brasileiro de xadrez, Giovane Vescovi, ele mesmo disse para nós que esse livro ajudou-o nos primeiros passos enxadrísticos e, segundo, busquem o tópico sobre o Pachman aqui neste blog, verão uma partida em que um super GM da atualidade perdeu uma partida justamente por não ter estudado este livro. Em notação descritiva.



9) Aprenda Tácticas de Ajedrez, John Nunn. Ótimo livro de táticas para quem deseja algo mais moderno e algo mais complexo que os anteriores. O autor, consagrado treinador, aborda os principais temas táticos, com maestria. E ainda elenca vários diagramas ao final de cada capítulo, para que o estudante tente solucioná-los. Recomendo que tentem fazer isso sem mexer as peças no tabuleiro, só olhando.





10) El Médio Juego em Ajedrez, Eugenio Znosko Borovsky. Um clássico, que foi elogiadíssimo por  Alekhine e pelo grande treinador Shereshevsky, em seu livro Perfeccionamiento en Ajedrez. É um livro mais de conceitos, do que de estudos maçantes de diagramas e variantes. A segunda edição é de 1954, mas o que mais me espantou é que o autor aborda alguns modernos conceitos, próprios do xadrez do século XXI, já claramente expostos e vislumbrados por Borovsky. Não foi à-toa que Alekhine rendeu-se em elogios para essa obra, dizendo que tem conceitos que foram originais para ele mesmo. Recomendado seu estudo, até porque fácil de vencer suas páginas. Pena que é em notação descritiva.



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11) Curso de Ajedrez Nível Avanzado – Kasparov (La passion). Trata-se de um curso de estratégia, mais moderno. Uma apostila contendo 258 páginas, sendo o terceiro módulo, e, na minha opinião, o único que vale mesmo a pena ser visto, desse curso. Quem não deseja compulsar antigos livros de estratégia, pode se aventurar neste, mais moderno, que contém inclusive uma pequena seção com as várias aberturas, apenas as mais usadas nos torneios, ao final dele.

12) Mis Finales Favoritos, Anatoli Karpov e Evgeni Gik. Quem não se animou com o Six Hundred Endings, por ser em inglês, pode e deve estudar este pequeno livro (165 págs.), contendo os principais finais, em espanhol, com diagramas ao final de cada capítulo / tema. O livro possui muitos exercícios. Eu sinceramente desaconselho que se perca muito tempo tentando resolver esses exercícios sem repassar logo a solução, ainda mais quem nunca estudou um livro de finais, pois perde-se tempo e no começo é melhor assimilar um padrão, apenas repassando mesmo esses diagramas.

13) Preparacion de Finales, Jon Speelman. Trata-se de um livro de finais algo diferente, mais divertido, menos enfadonho, como são esses livros de finais. O autor busca demonstrar que mesmo nos finais, encontramos alguns temas táticos de interesse. Esse livro ainda aborda com precisão a famosa (e intrincada) teoria das casas conjugadas, tão difícil de compreender. São 186 páginas e ao final o autor ainda faz interessante explicação de comparação de forças, quando é possível e quando não é possível a vitória nos finais.

14) De la Apertura Al Final, Edmar MednisTrata-se de um livro de 1985, da Martinez Roca, cuja proposta, por ser original, recomendo, mesmo sendo antigo em se tratando de aberturas. Trata-se de um livro para o jogador de brancas, pois o autor já avisa que ele abordará partidas que favorecem o primeiro jogador. O autor pretende mostrar a quem estuda, algumas variantes capazes de passar rapidamente e sem problemas pelo médio jogo, indo diretamente para o final, por meio das simplificações (trocas de peças). Não sei se me fiz entender: uma partida de xadrez têm 3 fases, abertura, meio-jogo e final. O meio-jogo dizem que é a fase mais complexa, em que cada jogador tem de elaborar um plano e executá-lo. Este livro propõe aberturas que possibilitam ao jogador de brancas passar da abertura rapidamente para o final após trocas, e isso com vantagem. Faz um link entre abertura e final, que considero muito legal e original em sua ideia. Uma das razões de se estudar a fase final antes da abertura é justamente essa: se jogador domina os finais e se percebe que por meio de simplificações (trocas de peças) vai entrar num final vencedor, não há razões para queimar a cabeça buscando planos no meio-jogo, o plano passa a ser trocar as peças e levar a um final vencedor. O único senão, é que o autor sempre favorece as brancas em suas análises. Bem que podia ser atualizado por seu autor, inclusive com partidas que favoreçam o jogador de negras.

15) Táctica Y Estratégia en El Medio Juego, Lorenzo Ponce SalaEstou estudando esse livro, da Colección JAQUE MATE. Trata-se de um livro cuja proposta é abordar os principais temas estratégicos, que o autor teima em dizer que são temas táticos (bloqueio, debilidades de peões, falta de desenvolvimento etc). Por temas estratégicos ele entende que são os tipos de centro, outro capítulo. O livro é bom (ou não, rs) porque as partidas têm poucas variantes, podendo ser estudadas em pouco tempo. Por tática mesmo, o autor trabalha esses temas no capítulo La Combinacion. O livro pretende na verdade abordar as 3 fases do jogo em um único volume. Tem 165 páginas e quem estudá-lo ganhará tempo, porque ele compreende todas as fases em um único livro.Talvez o problema seja que em algumas partidas, nota-se que o autor enfrentou adversários muito fracos, que não fizeram mesmo os melhores lances, mas isso não tira a importância desse livro.

16) Practica Moderna de Finales, Beliavsky e Adrian Myalchishin, 241 páginas, editora  Tutor. Ando recomendando alguns livros de finais em espanhol, porque acho mais fáceis de estudar, já que o espanhol, quem fala português, entende. Fico espantado com a preguiça dos enxadristas brasileiros (meus alunos, alguns, rs), que querem tudo em português. Temos de estudar livros em inglês e em espanhol. Se duvidar, até em russo. Isso porque sabemos que o tema Xadrez conta com poucos livros em língua portuguesa. Esse livro é de 2006, tem exemplos modernos de finais. A propósito, se vai estudar este livro, bom seria estudar também, dos mesmos autores, Estratégia ganadora en el final, mesma editora Tutor, 230 páginas, pois um parece ser continuação do outro. Ambos excelentes, com exemplos de finais retirados de jogos atuais.

17) Como Jugar con Facilidad los Finales de Ajedrez, Ian Snape. 143 páginas. Aqui, não há desculpas para quem tem preguiça de estudar os finais, rs, livro fácil, 143 páginas, contendo os principais finais, tudo muito bem explicado, com setas inclusive em alguns diagramas. É uma pena que os diagramas do livro não foram numerados. Mas tirando isso, ótimo livro de finais.









18) La Estructura de Peones en Ajedrez, Andrew SoltisEsse GM escreve muito bem, sendo que da sua lavra, destacamos ainda o monumental (e infelizmente ainda em inglês) livro SOVIET CHESS, 1917-1991, com suas 474 páginas, que é considerado um dos melhores livros de xadrez já escritos. Este La Estructura é um fenomenal livro de aberturas que parte de um estudo mais racional da 1ª. fase da partida. Em vez de se memorizar linhas e mais linhas de aberturas, o enxadrista é convidado a analisar as estruturas de peões das principais aberturas e os planos a seguir a partir dessas estruturas. Porque uma mesma estrutura de peões pode aparecer em mais de uma abertura. Logo, é mais inteligente essa compreensão do que simplesmente memorizar sequências de lances. Considero esse livro obrigatório, sendo que deste autor, de aberturas, eu ainda indicaria Secretos de la inversion de jugadas en ajedrez.

19) Winning Chess Middlegame, Ivan Sokolov, 2008Trata-se da mesma proposta do livro anterior, de Andrew Soltis, mas em inglês. O autor analisa diversas partidas sob a ótica da estrutura de peões. São 281 páginas de profundo conhecimento. Está aqui um livro que merecia uma tradução para o português.

20) Winning Pawn Structure, Alexander Baburin, 1998É a mesma proposta dos livros anteriores, mas na minha opinião, menos didático. Mas também merecia uma edição em português.

21) Dinamic Chess Strategy, Mihai Suba, Pergamon. 147 páginas. Trata-se de um livro que foi recomendado por treinadores. É uma visão mais moderna da estratégia, sendo que o autor prioriza o dinamismo do jogo. A meu ver, este livro aborda os princípios estratégicos do século XXI, igual o John Watson fez em seu livro Segredos da Estratégia Moderna. Muitas partidas são do próprio Suba, mas ele conseguiu essa proeza, de fazer um bom livro em 147 páginas. Interessante são os conselhos do Suba! Ele chega ao ponto de aconselhar o leitor a repassar lances de livros para memorizar esquemas, sem se "contaminar" pelos conceitos estratégicos dos autores de livros de Estratégia, pois segundo ele, isso "engessaria" o enxadrista moderno. Outra afirmação polêmica do Suba: sabe quando os autores desses livros de aberturas dizem para você não memorizar lances, mas "assimilar ideias"? Pois Suba desmente isso! Segundo ele, esses autores fazem justamente o oposto do que ensinam e memorizam aberturas. Este merecia, também, uma edição em português.

Já existe uma edição em espanhol, com o título Estrategia dinámica en ajedrez, Editorial Chessy, 2013, 203 páginas.

22) Piense Como un Gran Maestro, KotovRecomendo todos os livros do Kotov, mas principalmente este. Parece-me obrigatório ler este livro, de capa verde, porque nele o autor desenvolve a sua famosa teoria da ‘arbol de variantes’, abordada por outros grandes treinadores. Trata-se de uma maneira mais organizada de se calcular lances. O livro Entrene como un gran maestro e Juegue como un gran maestro, fazem parte desta coleção do Kotov e são ótimos estudos;

23) Endgame Strategy, Shereshevsky. Um ótimo livro de finais, com análises mais profundas, que este grande treinador escreveu. Ele ainda é autor do ótimo Perfeccionamiento en Ajedrez, um livro de aberturas, mas que aborda conceitos estratégicos e finais também, que mereceria um item exclusivo. Ótimo livro de finais;

24) Combinational Motifs, Maxim Blokh. Trata-se de um apostilão com 305 páginas, contendo uns 1000 diagramas de exercícios de combinações e cálculos, que serviu pra fazer o programa CT-Art, de treinamento tático. A apostila (material impresso) é para o estudante de nível superior. Depois de estudar uma apostila destas, certamente o enxadrista já avançado, estará preparado para os mais severos embates táticos, pois contém diagramas de diferentes complexidades, mesmo sendo indicado pra jogadores de nível médio, não se engane! É para nível superior. Tem diagramas bem complexos em suas soluções, até porque a maioria dos diagramas, cabe uma análise por parte de brancas e cabe uma análise por parte de pretas. Maxim Blokh deve ter tido um trabalho imenso para elaborar esses tipos de exercícios. Li em entrevista, que o GM Alexander Fier treinou tática estudando todo esse livro.  É um ótimo treinamento resolver uns 10 diagramas por dia.

25) Curso de Apertura - Universidad para todos. Não tem nem nome do autor, mas gostei imensamente deste curso de aberturas. Bem atual, contemplando apenas as aberturas mais usadas nos torneios de GM’s da atualidade, essa coleção de estudos contempla apenas aquelas principais variantes das principais aberturas, contendo ainda partidas completas, nas quais o estudante poderá analisar os melhores caminhos para a variante escolhida. Começa com o gambito do rei aceito, parte para a defesa Philidor, defesa Petrov, abertura escocesa, Ruy Lopez... mas aborda as principais defesas, tais como francesa, siciliana, caro-kann, gambito de dama etc.  Outro livro na mesma esteira é a pequena coleção do GM Dragan Barlov e MI Milos Jovicic, “White is Better!”, da Caissa Martrade. Muito válido.

26) Basic Chess Endigs – Reuben Fine, revisão feita pelo GM Pal Benko. Trata-se de uma revisão da obra de finais de Reuben Fine, feita pelo GM Pal Benko, lançada pela Editora McKay Chess Library. Uma monumental obra, sendo que o revisor não se contentou apenas em reproduzir os diagramas que continham na obra original. Trouxe novos e atuais exemplos, finais preciosos e cuidadosamente selecionados. O livro tem 604 páginas! Começa com os finais mais simples, indo até os mais complexos, num esforço digno de consideração. Um primor para o jogador posicional, que precisa jogar com segurança essa fase do jogo.

27) Exploring the Endgame, Peter Griffiths. Trata-se de um livro de finais, algo mais complexo, para quem já venceu esses manuais de finais simples de poucos peões e peças menores, ou poucos peões e peças maiores. Aqui, o autor reproduz partidas inteiras (sem comentá-las e comenta quando chega no final, mas um final ainda quase no meio jogo, com mais peças. As vezes, o autor já começa comentando o diagrama com a posição final, sem reproduzir a partida toda. O livro tem 220 páginas e foi lançado pela Adam & Charles Black, sendo que o autor analisa 50 “games”, mas priorizando os finais. Muito bom, mas para jogadores de nível avançado.

28) The Greatest Chess Endgame, Steve Giddins, Every Chess, 2012. 234 páginas. É a mesma proposta do livro anterior. Aqui o autor analisa finais de partidas novas e antigas, partindo do mesmo objetivo, dissecar os finais delas. Repito os mesmos comentários do livros anteriores.

29) ENDGAME MANUAL 2nd EDITION - Mark Dvoretsky
Apresentado por Artur Yusupov e com prefácio de Jacob Aagaard, esta segunda edição de 2006 (a primeira, salvo engano era de 1969), traz totalmente revisto este que é considerado por todos, simplesmente o melhor livro de finais já escrito. Editado pela Russel Enterprises, Inc, de Milford, com suas atuais 402 páginas, em formato grande (18 x 25,5 cms), trata-se do famoso 'Dvoretsky's Endgame Manual'.
Em edição primorosa, publicada em duas cores (o livro possui metade de suas posições publicada na cor preta e azul bem clarinho, talvez, acredito, para dificultar a reprodução do livro em fotocópias), o livro possui 16 capítulos, compreendendo todos os tipos de finais (de peões, cavalo vs peões, finais de cavalo, bispo vs peões, bispos de cores opostas, bispos de mesmas cores, bispos vs cavalo, torre vs peões, finais de torres, torre vs cavalo, torre vs bispo, finais de damas, dama vs torre, finais com outras peças...).
No capítulo 15, ainda temos uma visão geral sobre as principais ideias concernentes aos finais, que eu mesmo não vi razões para não terem colocado logo no começo: a atividade do rei nos finais, a força dos peões, o zugszwang, empates, dominação, são temas tratados no cap. 15.
Não contei todos os diagramas e finais que o livro tem, tarefa essa impossível, até porque os diagramas não seguem uma numeração usual crescente, mas seguem o sistema "número do capítulo / número do diagrama no capítulo: o capitulo 1, por exemplo, possui 189 diagramas; cap. 2, 27... Pelos meus cálculos, temos entre 1200 a 1500 diagramas.
 Trata-se do melhor livro de finais disponível para quem entende, pelo menos, o inglês. Basta um simples curso instrumental para conseguir estudar o livro, tranquilamente.
Cada capítulo traz ainda um delicioso tópico das "tragicomedies", ou seja, finais onde alguém errou fragorosamente (o que serve de consolo para nós, rs, vermos que os mestres também erram) e exercícios.

A única crítica minha é quanto aos exercícios, cujas soluções estão no final do livro, nem sempre fácil de localizar.



30) EL ARTE DEL ANÁLISIS - Jan Timman








Livro em espanhol, notação algébrica, 250 páginas, lançado em 1993 pela JAQUE XXI, dirigida por Leontxo García. O autor se propõe a analisar 24 partidas, exaustivamente, e se desincumbe desse papel admiravelmente. Na verdade, muita gente considera este livro um dos dez melhores já escrito. O autor faz análises muito profundas e ricas de várias partidas: Portish x Smislov, Polugaievski x Mecking ... Fischer x Petrosian, Fischer x Spassky (3 partidas), ... Karpov x Timman, são alguns dos 24 embates que o autor investiga, em minúcias. O livro é rico em variantes, sub-variantes e é precisamente nisso que se destaca. É impressionante que um GM de inspiração, digamos, algo romântica, tenha conseguido produzir estudos tão sólidos e convincentes. Só para comentar a partida do Mequinho (que jogou de negras contra Polugaievski), o autor usa sete páginas.
Na análise da partida número 11, Korchnoi x Karpov, Final de Candidatos, Moscou, 1974, o autor usa 15 páginas para, literalmente, dissecar cada nuance, cada linha, cada aspecto do jogo.  Mas é precisamente isso que o autor quis produzir e exatamente por esse caráter esse livro é tão valioso.
Foram 3 livros da coleção La pasion del ajedrez, produzidos pela JAQUE: este, o Trabajo en Ajedrez (I), também do Timman (que comentaremos a seguir) e o famoso La Prueba del Tiempo, de Garry Kasparov. Todos excelentes livros e altamente recomendáveis.

31) TRABAJO EN AJEDREZ (I) - Jan Timman
Como prometi, segue aqui a resenha deste segundo livro do Timman. Trata-se, este e o livro anterior, de um estudo sobre partidas e posições. O livro, tal como o anterior, já comentado El arte del análisis, foi montado em capa dura (edição muito bem cuidada), 201 págs, em notação algébrica e em espanhol, 261 diagramas.  Mais um livro da coleção La pasion del ajedrez, da Coleccion JAQUE XXI.
Neste livro, encontramos um Timman algo mais romântico do que no livro anterior. O autor se confessa amante da noite e um grande boêmio. Se tivesse nascido na primeira metade do século passado, seria um Reti.  Aqui, o autor analisa 18 partidas, entremeadas por posições críticas, muitas de finais.
O que me parece é que o autor gastou tudo que tinha no livro anterior, e para descansar o cérebro, escreveu este. De fato, a diferença entre o livro anterior e este, é brutal. No anterior, vemos alguém que luta por compreender e aprofundar-se no xadrez. Neste, os comentários são sempre com poucas variantes, quase sempre acompanhados de uma deliciosa confidência particular.
Trata-se de um livro para estudar e apreciar o xadrez (o anterior, é mais para estudar, tal a extensão - até cansativa - das análises). Neste, o autor se limita a comentar as partidas usando poucas variantes. Ou seja, nesta obra, Timman prioriza mais a descoberta do que a comprovação de suas convicções. O autor se liberta e além de ensinar, também diverte o leitor, o estudioso do xadrez.
Notei neste livro uma predominância de estudos de posições mais de meio jogo e finais. De fato, o autor se detém, inúmeras vezes, nos finais.
O livro também tem cunho biográfico, revelando várias facetas do Grande Mestre, que se revela uma espécie de Casanova do  xadrez .
Em tempo: eu ainda acho o livro anterior melhor. Tenho de ser sincero nessa apreciação.

32) FUEGO EN EL TABLERO - Alexei Shirov
Livro com 294 páginas, em espanhol, notação algébrica, em excelente edição da TUTOR. Edição 1997-1998.
Refiro-me ao volume 1 (creio que o 2 já tenha sido lançado). Neste livro, Shirov, um jogador eminentemente tático, comenta 111 partidas, sendo 82 na primeira parte e o restante, quando analisa ao final do livro a variante Botvinnik, com a qual conquistou muitos sucessos em torneios.

Originalmente publicado pela Cadogan Books, com o título Fire on Board, o livro ainda traz um capítulo destinado ao estudo de alguns finais, produzidos em partidas que Shirov jogou. São aproximadamente 30 páginas de estudos de finais, alguns bem críticos.

Este livro, tão logo foi lançado, tornou-se um best seller, pois Alexei Shirov é detentor de um estilo tático envolvente e arriscado (insano!rs), que nos faz lembrar o grande Mikail Tahl. Aliás, dizem que Shirov é o sucessor de Tahl, o que eu não concordo, pois ainda não encontrei quem rivalize com a genialidade de Mikail.
Shirov conduz as suas partidas como se estivesse deslizando no fio de uma navalha. Suas partidas, quase sempre, são permeadas de lances surpreendentes, agudos, onde o fator tático prepondera sobre o estratégico.
O livro é excelente e o que surpreende é que o autor informa que tinha escrito um outro antes deste, o qual, infelizmente, ficou sem publicar, pois estava em seu notebook, que lhe foi furtado em 1995, perdendo boa parte do seu trabalho.
Fazendo jus ao título, realmente, as partidas de Shirov são surpreendentes. Pena que após ter sido preterido na disputa pelo título mundial, freado pelo todo poderoso Kasparov, o autor, de origem Russa e naturalizado espanhol, meio que se acanhou e de uma grande promessa, parece que não conquistará o seu lugar de direito no cenário enxadrístico mundial.

33) TEMAS ESTRATÉGIOS DE LA APERTURA AL FINAL-Mednis
Outro livro de Edmar Mednis. 155 páginas. Editorial PAI DO TRIBO, 2a. edição. 2002. Notação Algébrica. Em espanhol.
Trata-se de um outro livro do mesmo autor, este mais disponível, por ser mais recente. O livro tem apenas 4 partes: um prólogo, finais com o peão "d" isolado; finais com maioria de peões no flanco da dama; finais simétricos; finais resultantes da formação ‘erizo’.
Neste livro, o autor assume sua inclinação para o jogo posicional, e já inicia seu livro estudando formações com o peão "d" isolado (Brancas = pa2 - pb2 - pd4 - pf2 - pg2 - ph2/ Pretas = pa7 - pb7 - pe6 - pf7 - pg7 - ph7), segundo o qual: "El peón d debe estar completamente aislado, es decir, no debem existir ni el peón c ni el peón e". Esquema conhecidíssimo.
O que penso do livro? Eu penso que se não estudar o livro anterior, poderá o estudioso encontrar dificuldades na assimilação de alguns esquemas. Antes colocava o autor partidas completas. Aqui ele parte quase sempre de posições. Quando lhe dá na telha, mostra lances de aberturas, com vistas ao final.
Se o estudioso não estiver familiariza com alguns esquemas estratégicos, pode se perder. Se tiver este estilo, navegará em 'mares de brigadeiro'.
Mas, quero dizer que são dois livros diferentes.
No primeiro, o autor usa partidas inteiras. O estudioso vê começo, meio e fim.
Neste, falta o estudo da abertura, como o autor promete. Mednis parte do pressuposto de que já foi lido o livro comentado anteriormente. Ele enfatiza os finais que surgem após determinadas aberturas, todas usadas por jogadores posicionais.
Mas o livro tem seus atrativos e complementa o El Passo!
O El Paso al Final pode ser estudado sozinho. Este, pede o anterior para uma correta compreensão.
Em sua segunda parte, analisa os finais com maioria de peões no flanco da dama. Analisa os finais simétricos, tão comuns quando se usa a saída c4. E, por fim, analisa os finais da formação Erizo.

34) LA PRUEBA DEL TIEMPO - Garry Kasparov
Este livro é da já comentada coleção La pasión del ajedrez (editou os livros do Timman, acima), da Editora Jaque XXI, 1ª edição, fevereiro de 1994. Notação Algébrica, 398 páginas.
Na minha muito modesta opinião, juntamente com a Coleção Meus Grandes Predecessores, este é um dos melhores livros do Kasparov.
Nele o autor comenta 86 partidas suas, tudo em ricas análises, que não parecem ter sido produzidas por computador, como em Meus Grandes Predecessores. Ando implicando com isso: longas análises feitas por computador. Atualmente, muita gente faz isso, produzindo livros cansativos e tediosos para se estudar. Neste livro, pode ter havido essas análises, mas o autor enxugou as partidas, mantendo apenas as variantes absolutamente indispensáveis.
O livro tem capa dura e no meio, algumas fotos do Garry Kasparov, desde a infância. Em uma dessas fotos, ele aparece jogando futebol!
Eu nunca imaginei que o grande campeão tivesse jogado futebol na vida, mas tá lá, pra quem quiser ver... Agora, se era um grande jogador ou apenas mais um perna de pau no futebol, não sabemos.
Não posso esquecer de mencionar que as partidas do Garry são permeadas de comentários gerais sobre torneios, impressões etc.
A obra foi traduzida para o português e encontra-se à venda no Brasil, por um preço mais acessível;

35) Excelling At Chess Calculation, Jacob Aagaard, 193 páginas. Já lançado em espanhol: Maestria en el Cálculo. Há livros que realmente mereciam uma edição em português. Este Jacob Aagaard é um excelente autor e talvez este seja o seu livro mais interessante. O que mais me chamou a atenção nesta obra,  foi que além de abordar com maior precisão aquela famosa teoria da ‘árbol de variantes’ do Kotov, o livro prima por apresentar ao estudante mecanismos para memorização e visualização de jogadas. O livro é de 2004, bem atual. É um convite a melhorar nossas técnicas de visualização, memorização e cálculo de jogadas ditas candidatas (a famosa árvore de variantes). Já há o livro em espanhol, Maestria en el cálculo, que junto com outros dois livros do mesmo autor, Maestria en el ajedrez e Maestria en lá técnica, são o que há de mais moderno em se tratando de livros de xadrez.

36) Mentiras Arriesgadas en Ajedrez (Mentiras Arriscadas no Xadrez), GM Lluís Comas Fabregó, Esfera Editorial, 2005, 150 páginas. O que gostei deste livro é que o autor propõe-se a questionar alguns dogmas do ensino do xadrez, da mesma forma como fez o Watson naquele livro Segredos da Estratégia no Xadrez. Mas aqui o autor é mais contundente, colocando em xeque alguns conceitos tidos como irrefutáveis por alguns teóricos, sendo que o autor associa tudo que é dogmático com o que é limitado. A gente estuda o que esses livros apresentam como se fossem verdades irrefutáveis e inquestionáveis. Se não tivesse havido um livro como o do Watson, que questionasse tudo aquilo que os clássicos escreveram, decerto ainda veríamos tudo o que os mesmos ensinaram como se fossem leis imorredouras. Precisamos de mais livros assim, que coloquem sob a dúvida alguns dogmas do xadrez, seja clássico, seja novo. Muitos questionam “quais os livros de xadrez que realmente abordam aspectos do xadrez moderno?”, bem, este é um deles, porque demonstra aquilo que os GM’s da atualidade já descartaram, por ser ultrapassado (mentiroso, na visão do autor, rs), mesmo indo contra certas normas do xadrez clássico, antigo;

37) Ajedrez y Matemáticas, Bonsdorff. Fabel. Riihimaa, 2009, Colección Nueva Escaques. Trata-se de um livro com 180 páginas no qual os autores pretenderam associar o xadrez com matemática, analisando sob a ótica da matemática (cálculo) de diversos aspectos do xadrez. Não é um livro indicado pro leigo em matemática, mas sim paras os universitários que estudam matemática e jogam xadrez. O livro tem equações muito complexas, difíceis mesmo pro leigo entender. E os autores não se deram ao trabalho de explicar ‘tim-tim’ por ‘tim-tim’ algumas equações, tornando mais acessível o raciocínio que forme um paralelo entre os diagramas mostrados e algumas equações. Lembro que o mais próximo que chegaram a traçar algum paralelismo entre matemáticas e xadrez foi no Mosaico Ajedrecistico, fenomenal livro do Karpov. Neste, o livro todo é sobre matemática e xadrez, e matemática complexa, rs, difícil. Deve ser um livro muito agradável para o estudante de matemática ou de engenharia, também enxadrista, dedicar algum tempo. Terá várias epifanias! rs;

38) Ganhei de um grande amigo esse livro: Grandmaster Chess Strategy, do Jurgen Kaufeld & Guido Kern, da New in Chess. O livro tem 223 páginas e analisa em detalhes 80 partidas do Grande Mestre Ulf Andersson. Ulf tem um estilo posicional muito limpo, que lembra o do grande Capablanca. Suas partidas, quase sempre desembocam em posições simétricas, com aparente igualdade nas estruturas de peões, mas Ulf possui o raro dom de ganhar nos finais esses jogos que um leigo olha e diz: tá empatado! Inclusive o forte do livro está em se analisar as aberturas, capazes de passar ao final com alguma vantagem mínima e a maestria de Ulf Andersson em manejar tais finais. Os autores organizaram o livro em capítulos, onde abordam aspectos do jogo posicional, mas são partidas comentadas organizadas por temas estratégicos, como vantagem em espaço, profilaxia, peão isolado, par de bispos, arte da defesa, finais de torres etc. Em inglês.

39) Dominando aberturas no xadrez, E. Gufeld e N. Kalinichenko, Editora Ciência Moderna, 281 páginas. Trata-se de um excelente livro que aborda praticamente todas as aberturas, mas naqueles sistemas de chaves, tipo Informador. Ou seja, não há comentários dissertativos nas variantes. Há apenas aqueles sinais indicativos de que foi uma boa jogada ou uma jogada ruim, iniciativa, etc. Achei ideal para recordar variantes das aberturas preferidas, antes de um torneio;

40) Mi Sistema, Aaron Nimzovitsch. Comentar esse livro é tarefa complexa, pois trata-se de um clássico, lançado em 1925 e elogiado por campeões mundiais do nível de Petrossian, Kasparov. Na minha opinião, há 3 livros clássicos de estratégia (4, se formos computar a coleção Tratado general de ajedrez, do Grau), que todo estudante deveria estudar na vida: estratégia moderna no xadrez, do Pachman; jogo de posição, do Eliskases e meu sistema, do Nimzovitsch. Eles se completam. Cada um ensinará algo que o outro não ensina. Por exemplo: Mi Sistema ensina a estratégia das casas avançadas, a profilaxia, uma visão original sobre torres e colunas abertas, que os demais livros não têm... Já o Estratégia moderna do Pachman ensina quando se deve e não se deve rocar, para que lado rocar, ataque de minoria, jogo psicológico, que os outros não ensinam... Jogo de posição do Eliskases, ensina coisas bem básicas, mas essenciais, como não sair cedo com a dama, lances de tempo com bispos, maioria na ala da dama, debilidades de peões... Ou seja, são livros que se completam. Mas os GMs dizem que Nimzovitch pode e deve ser estudado em qualquer fase do jogador. Mesmo os GMs, quando perdem seu caminho, repassam esse livro, que serve de fonte de inspiração. Na minha opinião, Mi Sistema começa de forma confusa, Nimzovitsch começa seu livro mostrando como não cometer erros de tempo na abertura, mas não foi muito didático nesse começo de seu livro. Mas já a partir do capítulo II, quando o autor começa a comentar suas partidas, torna-se um excelente livro. E a forma cômica com que ensina, é cativante. Eu usei esse livro, com sucesso, com meus alunos de xadrez, de colégio, pois ante a dificuldade de ensinar um aprendiz a planejar, passei-lhe (s) a estratégia das casas avançadas de Nimzo e isso chegou bem perto de ensinar a planejar no meio jogo. Nimzo tem uma linguagem debochada e irônica, sendo que os jovens jogadores, aprendizes, adoram isso. Outra coisa: o que eu acho legal no Meu Sistema é que o autor nunca perde o foco do verdadeiro objetivo de uma partida de xadrez, que é matar o rei adversário. Parece que os teóricos de livros se esquecem disso às vezes. Nimzovitsch com sua Estratégia das Casas Avançadas, está sempre lembrando o enxadrista a não divagar em seu objetivo, a enxergá-lo desde logo. Já existe edição em português.


41) Estrategia creativa en el medio juego, do GM Alfonso Romero Holmes, 188 páginas, editorial Chessy. Há tempos desejo comentar esse grande autor, Alfonso Holmes. Pois tem escrito livros interessantes e educativos de xadrez, altamente recomendáveis! É dele, por exemplo, o livro Problemas de Estrategia (Aperturas Cerradas), escrito juntamente com Amador González de La Nava, outro ótimo livro, com 219 páginas, também editado por esse Editorial Chessy, onde de forma interessante, os autores analisam diversas partidas de aberturas estratégicas, sendo que interrompem as partidas em dado lance e convidam o estudioso a analisar a posição, sendo que só ao final do livro há o resultado. É dele, Alfonso Holmes também o bom livroTécnica Creativa en el Medio Juego, pela Editorial La Casa del Ajedrez. Todos livros ótimos, em que vemos realmente que seu autor se dedicou a produzir análises de si mesmo, e não confiando tudo a um computador. Neste Estrategia creativa en el medio juego, que diz o autor ser a continuação do Técnica creativa, temos um moderno tratado de estratégia, onde o seu autor aborda temas da estratégia atual e antiga, como vantagem de espaço, par de bispos, peão isolado, trata do complicado tema "domínio sobre as casas brancas e negras" (um tema raramente tratado em compêndios de estratégia e muito importante), ataque sobre el centro débil etc. As partidas que o autor utiliza para estudo são razoavelmente recentes (a partir de 1986), salvo algumas exceções. Está aqui um bom livro de estratégia que eu recomendo a todos, como, aliás, recomendo os demais desse autor.

42) Ajedrez conceptual, do GM Johan Hellsten, Ediciones Universidad de Taparacá, maio de 2006, 329 páginas. Há verdadeiras jóias que precisam ser descobertas e uma delas é esse livro. Atualmente, existe um tipo de livro de xadrez que não dá para situarmos só no campo da tática, ou no campo da estratégia, ou no campo de finais. Eu os chamo de "livros de posições de xadrez", vou explicar o que é isso para que o leigo entenda: hoje em dia, os modernos treinadores misturam diagramas de tática, estratégia, aberturas, cálculos e os apresentam a seus alunos para estudo. A ideia é que ao prazo de um ano, o aprendiz já esteja competindo em torneios e com bom conhecimento em todas as fases da partida. Atualmente, o enxadrista precisa estudar livros de posições de xadrez. Ou seja, são diversos diagramas, às vezes a partir de uma posição complexa de meio jogo, em que o estudante é incitado a analisar quais os planos que um determinado jogador possui, diante de uma posição apresentada, bem como quais as melhores opções de jogadas. Há quem diga que ao estudar essas posições adquire-se um padrão de compreensão de posições no xadrez, sendo que o jogador passa a ser capaz de jogar posições semelhantes quase que mecanicamente ao tabuleiro. Já li que para se chegar a mestre, precisamos ter estudado 15.000 diagramas! Já para se chegar a grande mestre, algo em torno de 25 mil diagramas! Então, este é um livro de posições de meio - jogo, estudos de finais e análise de aberturas. Seu autor é um competente GM e treinador sueco e essa editora é da Universidade de Taparacá (UTA) onde o mesmo trabalhou com xadrez, em Arica, no Chile. Não podemos dizer que é apenas um livro sobre meio-jogo. Johan começa estudando posições de meio - jogo, mas depois estuda posições de finais, principalmente de torres e ainda aborda algumas posições típicas de determinadas aberturas. O autor não nega que usou um programa para lhe auxiliar nas análises, Chess assistant 6.1, mas produziu uma excelente obra. E é honesto ao ponto de comentar inclusive partidas/posições em que perdeu, como a posição de número 72, do sub-capítulo de finais, em que perdeu para um certo Giovani Vescovi, em Halle, 1995.

Esse competente autor também anda lançando obras em português. Por exemplo: comprei recentemente o livro DOMINANDO ESTRATÉGIAS DE XADREZ, Johan Hellsten, Penso Editora, 2013, 487. Aqui, só tenho elogios para com essa edição, muito bem cuidada pela editora. Fizeram o certo! Pediram para Ronald Otto Hillbrecht, Vice-Presidente da Federação gaúcha de xadrez de 2002  a 2008, para revisar a obra. Trata-se de outro livro. Não é uma tradução do Ajedrez conceptual, apesar que o autor usa o mesmo esquema de propor diagramas e soluções ao final do livro. Organizado em 6 capítulos, compreendendo conceitos básicos de estratégia, melhorando as peças no jogo, trocas, jogo de peões, profilaxia e muitos exercícis.Essa editora, apesar de este tópico não ser de merchand (não ganho nada em indicar editoras), vem editando muitos livros de xadrez em português, vide: http://www.grupoa.com.br/busca/Default.aspx?q=xadrez. Livro para jogadores avançados;

O autor ainda lançou uma obra pela editora Esfera Editoral, em 2007. Desconfio que seja uma atualização  Ajedrez conceptual, quem quiser ler um excerto do mesmo, acesse: http://www.esferaeditorial.com/pdf/dlc.pdf..

43) Nunca olvides que... tienes un rival en frente, Mark Dvoretsky, Editorial Chessy, 420 páginas, 2013. Tudo que escrevi sobre o livro anterior vale para este. Estamos diante de mais um livro sobre "posições críticas a analisar", desta vez produzido pelo melhor treinador do mundo, Dvoretsky. Aliás, tudo que esse treinador escreve, podem comprar que é excelente! Apesar de que ele escreve para Mestres e Grandes Mestres. É o mesmo esquema do livro anterior, sendo que o autor apresenta diversos diagramas de meio -jogo e de finais, com análises completas. A diferença do anterior é que neste há também dezenas de diagramas com exercícios. O autor usa o mesmo esquema de numeração de diagramas do seu "Dvoretsky Endgame", comentado nesta lista, ou seja, diagrama 1 - 1, 1 - 2, 1 - 3, ...  2 - 10, nesse ponto é mais didático do que o Johan Hellsten. Os diagramas estão organizados em capítulos: atenção aos recursos do adversário, método de exclusão, ciladas, pensamento preventivo. Mas na verdade são análise de diagramas! os mais diversos, tanto de meio-jogo, quanto de finais. Por "ciladas" não tem nada a ver com aquelas bobagens de livros "60 armadilhas de aberturas". O autor apresenta erros reais que fortes jogadores incidiram, frente a duríssimas posições. Perdoem-me ser prolixo, mas é por uma boa causa, pois preciso fazer uma importante observação: os modernos treinadores, que por sua vez escrevem modernos livros, misturam diversos diagramas em seus livros, sendo diagramas de finais, de tática, de estratégia. Ou seja, este livro e o anterior são exemplos dessa nova forma de se treinar para o xadrez. Penso eu que esse novo meio de apresentar temas enxadrísticos nasceu com aquele libro da Polgar. Já não vemos mais, e serei sincero nisso, estudantes de primeiro mundo, estudando o xadrez por etapas como primeiro os finais, depois os diagramas de tática, depois... Não! Seus treinadores usam livros assim, com posições diversificadas e já tratam de passar aos seus pupilos alguns esquemas de aberturas, para que se defendam em torneios e tenham bons resultados imediatos. Livro em espanhol, para jogadores avançados.


44) Mis 60 mejores partidas, R. Fischer, Editora Club de Ajedrez ou Minhas melhores partidas de xadrez, Editora Record. Notação descritiva (muitos terão dificuldades, se nunca estudaram nada nessa notação antiga).










Haverá enxadrista que não conheça esse livro? Penso eu que não. Famosíssimo, esse livro já foi editado em português pela antiga Editora Record, com o título Minhas Melhores Partidas de Xadrez.
Todo mundo do xadrez sabe a história de vida do grande enxadrista Robert James Fischer ( 9/3/1943 - 17/01/2008), o Bobby Fischer. Sabe que ele aos 13 anos de idade, avisou sua mãe que não iria mais se dedicar à escola, mas apenas ao xadrez e que seria um  campeão mundial.
Sozinho ele aprendeu a falar russo, para estudar partidas de seus adversários e entender o que diziam. Todo mundo sabe que esse genial norteamericano venceu  todos os enxadristas russos de seu tempo, foi campeão mundial em 1972, em plena guerra fria e depois disso surtou (rs). Desconfio que Fischer já era esquizofrênico, mas após esse título, sua situação mental ficou mais comprometida, passou a se sentir perseguido por russos, por agentes de seu próprio país (EUA), passou a tecer críticas absurdas aos judeus (sendo ele mesmo de origem judia, filho de pai alemão e mãe judia/suiça). Simplesmente se afastou do cenário enxadrístico mundial, perdendo seu título para Anatoly Karpov, sem ter jogado uma partida sequer. Mas voltou a jogar um match contra o mesmo adversário que derrotou em 1972, Boris Spassky, isso em 1992, para deleite de milhões de fãs mundo afora. Inclusive venceu o match!
Contudo, ao jogar na Iugoslávia, Fischer acabou por se tornar criminoso em seu próprio país (EUA), pois os americanos tinham imposto uma interdição, uma proibição, sendo que todos os seus atletas estavam impedidos de jogar naquele país.
Amigo leitor, se lhe ofertassem um contrato de propaganda, em que você ganhasse 1 milhão de dólares, você aceitaria? Não, não... Você não teria de recomendar nenhum produto suspeito ou comprometedor, mas apenas uma marca de xampu.
Pois saiba que Bobby Fischer, no auge da sua carreira, recusou um contrato desses. Motivo? Simples. Não era a marca de xampu que Bobby costumava usar!
Quem conta essa e outras histórias do excêntrico e genial Fischer, é Yasser Seirawan, no livro Duelos de Xadrez, já em português, pela editora Penso. Vale a pena lê-lo, pois Seirawan tem o dom de contar passagens divertidas de sua vida e dos grandes mestres com quem teve contato.
Como o destino castiga, Bobby Fischer ficou sem dinheiro, uma época. Fase muito difícil, em que chegou a pedir cinquenta dólares emprestado, para um amigo. Dizem que o prêmio que ganhou, ao vencer Spassky, isso em 1972, ele entregou para a igreja que o converteu, os Adventistas do Sétimo Dia.
Polêmico, doido, excêntrico, irascível, mas genial, assim foi Bobby Fischer, que chegou a ser preso no Japão, justamente devido ao match que jogou com Spassky, na Iugoslávia.

(Uma biografia decente, desse grande enxadrista, acessar:
 http://colunadorei.blogspot.com.br/2013/04/bobby-fischer-o-fenomeno-por-edu-frazao.html)

Mas, voltando ao objetivo deste tópico e tratando do livro, esse que já foi eleito o melhor livro de xadrez de todos os tempos, eu tenho minhas dúvidas sobre isso. Para apreciar Minhas Melhores Partidas de Xadrez, o estudante tem de apreciar o estilo de Bobby Fischer. É um estilo eminentemente combinativo, agressivo, sendo suas partidas normalmente curtas, mas com muitas complicações táticas. É um livro difícil de estudar ao tabuleiro físico, porque temos de refazer várias vezes a mesma partida, dado o grande número de variantes. Penso eu que o ponto alto do livro não são os conceitos estratégicos, mas as linhas de cálculo. E, claro, a maneira como Fischer manejava certas aberturas, buscando imediatamente a iniciativa.
Eu não considero esse o melhor livro de xadrez que já estudei, simplesmente porque não é meu estilo de jogo. A impressão que tenho é a de que Fischer estudava aberturas profundamente, para conseguir delas imediata iniciativa no meio jogo. E procurava deliberadamente posições complexas, onde seus adversários se veriam em maus lençóis, caso não gostassem das complicações e preferissem um calmo jogo posicional.
Para gostar deste livro e dele usufruir, há de se ter um gosto pelo estilo de Fischer jogar, que lembra muito o jogo do Tal, mas mais preciso, mais cuidadoso nas aberturas. Indico seu estudo para os jogadores de estilo agressivo e que apreciem complicações.
Acho espantoso isso: muitos colocam esse livro como o melhor já escrito e o indicam para qualquer enxadrista. Mas isso está errado. Um jogador posicional, dificilmente aproveitará o estudo dessas 60 partidas de Fischer, simplesmente porque foge do estilo de jogo do estudante mais posicional. Todo livro de partidas comentadas, de algum grande jogador, seja atual ou antigo, deve levar em conta isso. Um apanhado de partidas de um grande mestre, comentadas, será de maior aproveitamento apenas se for o estilo de quem estiver estudando.
Isso é muito importante que o leitor saiba. Estudamos no meio jogo, tática e estratégia, pois uma não vive sem a outra. Mas naturalmente pendemos para um estilo mais posicional ou mais combinatório.
Houve um tempo em que eu, na minha inocência ainda achava que bastaria estudar livros de jogadores de estilo tático, como Tal, Fischer, Shirov, um que acho magnífico seu jogo e é pouco estudado, que é o Jon Speelman, que eu assimilaria esse estilo, como que por osmose.
Nada disso!
Meu estilo sempre foi posicional e sempre será posicional. Dai que tratei de estudar partidas de jogadores como Petrossian, Ulf Andersson, Capablanca... Mas ainda tenho a esperança de jogar, por exemplo, como um Nigel Short, ou uma Judit Polgar.
Bem, voltando ao livro, você pode, amigo leitor, estudar todo esse livro do Fischer e ao final, chegar à conclusão de que foi perda de tempo, se imaginou que poderia assimilar como seu, o estilo de jogar de Bobby Fischer, exceto se já tiver uma inclinação para tal, mas terá aproveitado, pelo menos o estudo das aberturas, a condução dos finais e treinamento da visão tática.
Eis porque, ao menos para mim, jamais será o melhor livro de xadrez que já estudei na vida.
Mas ao estudá-lo, uma coisa é inegável: treina-se a visão combinatória. Aliás, hoje já existe esse livro em formato PGN (porque uma boa alma o estudou integralmente e foi lançando as partidas em formato digital), ou seja, você repassa o livro, usando o computador, o que pode ser mais confortável.
A edição que tenho, é a espanhol, capa acima, da Club de Ajedrez. Mesmo problema do El Ajedrez de Torneo, do Bronstein, as folhas se desprendem do miolo, devido à péssima encadernação feita pela editora.
Fischer só escreveu esse livro que prestasse, seus outros 2 livros (ou um, agora não me recordo), são para crianças. Já estava doido quando foi lançado. Dizia que editaram seu livro sem pagar-lhe direitos autorais, inclusive esta edição que eu possuo, ele se recusava a autografar, alegando que não a reconhecia como autorizada. Na verdade, houve uma época em que Fischer cobrava até mesmo um autógrafo. Que o bom Deus tenha recebido Fischer, que tanto deslumbrou a todos com seu jogo audaz e quase sempre imprevisível.




45) Aprendiz de Brujo, David Bronstein – Tom Fürstenberg, Editorial Pai do Tribo, 447 páginas, 3ª. edição. 







Livro cuja aquisição é altamente recomendável. Traz 220 partidas do grande enxadrista David Bronstein (nascido em 19.02.1924 e falecido em 5.12.2006). Bronstein foi um GM ucraniano que quase chegou a ser campeão mundial, sendo que terminou empatado com o então campeão, Botvinnik. Lamentavelmente a regra do match dizia que em caso de empate o título permaneceria com o campeão anterior, no caso Botvinnik. Bronstein, ucraniano, sempre foi tratado com indiferença pelos russos. Motivo? Além de ser visto com desconfiança pelos russos, justamente por ser oriundo da Ucrânia, o pai de Bronstein foi considerado um subversivo pelo regime soviético e condenado a cumprir alguns anos de trabalhos forçados em um gulag russo. Como sabem, isso em ditaduras comunistas, traz consequências ruins para a família inteira do preso. Bronstein quando disputou o campeonato mundial, seu pai estava na primeira fila, assistindo, ao lado de um dos chefões da KGB. Bronstein teve de jogar com o medo constante de que seu pai fosse preso novamente, já que seu genitor estava proibido de entrar novamente em Moscou. Mesmo assim conseguiu empatar com o melhor jogador do mundo àquela época e campeão mundial. Dai porque os enxadristas, com justiça, chamam-no de co-campeão mundial. A vida esportiva de Bronstein, bem como a econômica, não foi fácil. Não tinha apoio da Rússia, nem era convidado pelos chefões russo a disputar torneios, logo, não ganhava dinheiro com sua profissão, já que na Rússia, enxadrista profissional é uma profissão. Mesmo com a intervenção de Max Euwe, presidente da FIDE por uma época, isso a favor de David, essa situação de provocação não se alterou. Bronstein nos deixou em 2006, já octogenário, mas ficaram as suas excepcionais partidas, de um estilo inconfundível, bem criativo e cheio de combinações. Tratando do livro, especificamente, tirando o título ruim (o coautor explica que o bruxo do título seria o Bronstein e o aprendiz é seu leitor), temos neste livro 40 partidas apenas com comentários das combinações + 50 partidas amplamente comentadas + 60 partidas sem comentários + 70 partidas notáveis,  também sem comentários e ainda 40 conselhos para jogadores principiantes (são conselhos bem simples, tipo não sair cedo com a dama). Ao todo, temos então 220 partidas de Bronstein no livro todo. É um livro delicioso, que se estuda de maneira deslumbrada com a genialidade de David Bronstein, que via combinações inacreditáveis ante o tabuleiro e combinações que davam certo! O livro contém uma das partidas que considero das mais lindas, já jogada, em que se usou a defesa alekhine. Da mesma forma que o grande livro ZURICH 1953, também assinado por Bronstein, este aqui é altamente recomendável e é um bom dinheiro investido, se comprarem-no. O livro ainda tem fotos, lá pelo meio. Fotos de Bronstein quando era criança, com seus pais, com suas esposas (ele enviuvou e casou de novo com Tatiana Bolelavskaya, filha do GM Bolelavsky), sendo que Tatiana escreve no livro uma sensível e emotiva homenagem ao eterno enxadrista genial, David Bronstein. Eu recomendo!

45. El camino a la maestria. MI Alberto Barreras García,2006, 585 páginas.











Muitos devem indagar o que seria um livro ideal, para o iniciante, na minha opinião.  Sempre imaginei que pudesse existir no Xadrez, um tipo especial de livro que existe no Direito, contendo todas as matérias, um resumão, capaz de fazer com que o aluno passasse ao menos na 1a. fase do exame da OAB. Uma obra que abordasse as principais fases do jogo e que fizesse o principiante vencer seus primeiros torneios, fortes torneios de enxadristas amadores, bem entendido. Pois bem, um livro assim teria de ter um bom curso de finais, com aproximadamente uns 150 diagramas; um bom curso de táticas, com uns 200 diagramas e cálculo de variantes (árvore de variantes do Kotov); um bom curso de estratégia com uns 120 diagramas, que mostrasse os principais elementos estáticos e dinâmicos do jogo posicional; e, ainda, um apanhado geral das principais aberturas, mas contendo partidas comentadas sobre elas, com enfoque dos seus planos e ideias, apenas aberturas realmente jogáveis em torneios. Um livro assim seria um calhamaço de 600 páginas, no mínimo. Já houve no Brasil, ao contrário do que afirma em El camino a la maestria, que diz ser o primeiro livro nessa proposta, um livro em que se tentou isso: o Xadrez Básico do D'Agostine, que ajudou centenas de enxadristas a vencerem seus primeiros torneios.

Como sabem, o Xadrez Básico possui 600 páginas, foi editado pela Ediouro, a mesma editora das palavras cruzadas vendidas em bancas de revistas e contém: uma introdução na qual o autor ensina o novato a jogar, um breve capítulo de finais, outro de tática, outro de aberturas e umas partidas comentadas.
Aproveito o ensejo para esclarecer isso. Muita gente me pergunta por que não indico o Xadrez Básico do DAgostine. Tenho um carinho imenso por esse livro, sendo que foi o primeiro que estudei, que de fato prestou. Mas acho que insuficiente para o nível dos torneios atuais. Xadrez Básico acerta ao começar com um pequeno curso de finais (antes há um histórico sobre xadrez, notação, como jogar etc), depois tem um capítulo de meio - jogo, onde se mistura elementos da tática com estratégia e depois um pequeno curso de aberturas. Mas insuficiente em cada fase, para, de fato, fazer com que o principiante vença seus primeiros torneios. Minha opinião, ninguém é obrigado a concordar.

Voltando ao livro que resenho, El caminho a la maestria é uma jóia que precisa ser descoberta pelos enxadristas. E é semelhante ao Xadrez Básico, mas mais moderno, com partidas antigas e atuais, até 2006. O livro é organizado em 25 capítulos, sendo que em cada capítulo o autor apresenta um pouco da história do xadrez, exercícios de finais (imprescindíveis para quem deseja evoluir), médio jogo contendo enfoque sobre estratégia e tática e encerra cada capítulo com estudos de aberturas, contendo desde pequenas partidas antigas, até partidas mais modernas, sempre exemplos preciosos que mostram exatamente como a abertura deve ser executada.
Muito didático, Barreras mesclou cada capítulo do seu brilhante compêndio com HISTÓRIA DO XADREZ + FINAIS + MEIO JOGO + ABERTURAS, sendo que aborda as principais aberturas jogáveis mesmo em torneios, fazendo isso de uma maneira que se não chega a ser profunda, também não é rasa, sendo as principais linhas das aberturas analisadas em suas variantes e sub-variantes.
No começo do livro, o autor presenteia seus leitores com um capitulo intitulado Bases y criterios del entrenamiento del  ajedrecista, que vale a pena ser lido porque contém alguns segredos que só achei nesse livro. Podem acreditar que ao estudar esse livro, vocês estarão se preparando nos finais, nas táticas e nas aberturas. Claro que houve novidades em algumas aberturas, dado o ano em que foi lançado o livro, mas depois é só se atualizar com as revistas mais atuais. Juro que me deu vontade de imprimir as 585 páginas, encaderná-las, trancar-me num quarto e começar a estudar imediatamente o El camino a la maestria, do MI Barreras!
Ainda mais porque o autor disse, na apresentação, que esse livro é o apanhado de um curso que ele ministrou aos enxadristas por 36 semanas, sendo que em cada semana ele apresentava um módulo, contendo o mesmo esquema de cada capítulo (um pouco de final, meio jogo, abertura) e ao término desse prazo, seus alunos subiram 200 pontos de ELO!!!  Ler isso foi muito agradável e estimulante.
O Mestre Internacional Rafael Alberto Barreras García nasceu em Cienfuegos/Cuba, em abril de 1951. Foi Mestre Internacional pela FIDE desde 1981, morou em 1995 na cidade de Valência, na Venezuela. Infelizmente, faleceu recentemente, no dia 21 de julho de 2015, na Venezuela.  O livro é oriundo da Nicarágua, sendo apresentado pelo MI de xadrez postal Dr. Guy José Bandaña - Guerrero, Presidente da Federação Nacional de Xadrez da Nicarágua.
Há um livro com o mesmo título, do Dr. Max Euwe, que já não é tão bom quanto este.
Creio que ao final do estudo das 585 páginas do El camino, o estudante já terá saído do nível de principiante. Não descobri a editora, na versão PDF.
Se alguém souber onde vendem o livro original, por favor me avisem. Interesso-me em adquiri-lo.

46. Las partidas de ajedrez más instructivas que se hayan jugado, 62 obras maestras de estrategia, Irving Chernev, 290 págs. Esse livro foi lançado em 1965 e é muito famoso e recomendado. Trata-se de um curso de estratégia. Seu autor utiliza de 62 partidas para explicar nuances da estratégia clássica, como torre na sétima fileira (partida um), rei enquanto peça de ataque, cavalo em d5, peão passado, peões e casas débeis, ataque sobre a ala do rei, os bispos etc. Felizmente ou infelizmente,  quando o autor escreveu esse livro não existiam ainda os famosos programas de xadrez e, por isso, suas partidas não têm aquelas longas e massacrantes linhas, sub-linhas de análises feitas por computador, dos livros modernos. Eu implico com isso, porque desconfio que pouca gente tem paciência de repassar uma a uma essas várias análises produzidas por algum Houdine (programa de xadrez) da vida! Temos aqui um  livro elegante, sendo as partidas, algumas antigas, 1908 por exemplo, e outras de 1956, 1948, 1958, não espere encontrar partidas muito atuais nesse livro. Mas a idade das partidas a meu ver, não o deprecia, visto que seu autor se propõe passar lições de meio - jogo. É no meio-jogo das partidas que está a justificativa de sua existência. Recomendo.

47. Mis mejores partidas. Anatoli Karpov. Editorial Pai do Tribo, 173 páginas. Karpov mereceria um tópico só para ele, tal a sua produção literária de qualidade. Mas como não tenho tempo para fazer outro tópico sobre livros, terei de ir comentando os livros de Karpov por aqui mesmo. Entre esses livros, pretendo comentar uma pérola chamada Mosaico Ajedrecístico, desse grande campeão, entre outros livros. Neste livro, Anatoli Karpov comenta 40 de suas principais partidas, sendo as mais atuais do livro, de 1994. Todas as partidas são muito bem analisadas, com muitas variantes e sub-variantes. Minha única crítica é que poderia ter um número maior de partidas. Achei pouco 40 partidas. Podia, ao menos, chegar ao número de 60 embates, para rivalizar com o grande livro do Fischer, comentado acima, item 44.

48. Guía para el jugador de ataque. Gary Lane. Editorial Pai do Tribo, 156 páginas. Um pequeno - grande livro, que me deu muito trabalho, apesar de suas poucas páginas, para ser estudado. O autor comenta algumas partidas nas quais o ataque esteve presente. Mas faz isso de uma forma bem feita - como pede o tema do livro - analisando alguns lances com variantes, sub-variantes, e por aí vai. São análises exaustivas, pelo que recomendo que se estude esse livro com dois tabuleiros, um para a variante principal e outro para as secundárias, pois economiza tempo. O autor ainda coloca ao final de cada capítulo, diagramas de exercícios, que pretendem estimular em seus leitores o espírito do ataque. O livro tem 6 capítulos e no final, as soluções dos diagramas-exercícios. São seus capítulos: 1. acosando al rey; 2. el rey desamparado; 3. sacrifício; 4. La caza del rey; 5. Mates típicos; 6. finales tácticos. Muito bom! Eu recomendo.


49. Usted juega! Zenón Franco Ocampos. Esfera Editorial, 200 páginas. 2005. O GM Zenón Ocampos é paraguaio e vem escrevendo bons livros, entre eles, também o livro El arte del ataque. São livros nos quais a gente percebe o esforço de seu autor, que sempre desenvolve longas análises e mostra que além de Grande Mestre, Zenón Ocampos se preocupa com os enxadristas que nele se espelham e vem produzindo obras de ótima qualidade. Este "Usted Juega!", é um  livro organizado em 50 partidas, sendo que o autor preferiu só mencionar os nomes dos jogadores, numa lista no começo. A ideia do livro é que o estudante vá estudando as partidas, com uma folha em branco ou régua branca, que vá escondendo os lances. Isso porque o autor está sempre desafiando seu leitor a desvendar qual é o próximo lance a ser feito, dai o título. O livro foi concebido sob essa proposta, a de que o leitor vá estudando e em alguns momentos críticos das partidas, o autor propõe o enigma: "Ud: Juega tras (Você joga após o lance tal)... Elija (escolha) ", aí o autor apresenta possibilidades de lances, para que o estudante escolha. Somos convidados a tomar o lugar de algum grande mestre, e jogar no lugar dele, desvendando os lances a seguir. Ou seja, esse livro tem de ser estudado com alguma coisa que esconda os lances que virão, justamente para que os exercícios sejam eficazes. Ótimo livro, recomendo.

50. Clases de ajedrez. GM Artur Yussupov. Editorial Chessy, tradução do MI Georgios Souleidis. 174 págs. Recomendo vivamente o estudo desse pequeno grande livro para o jogador de nível médio, que em verdade é um resumo da coleção completa sobre posições de xadrez, que esse grande treinador, Yussupov, lançou em inglês pela Quality Chess em 6 volumes, elogiadíssimos! Trata-se de um livro de diagramas a solucionar, contendo desde posições de meio jogo, até posições de finais, além de posições de estudo já solucionadas (diagramas com lances a repassar). Contendo temas táticos e estratégicos, o livro enfoca os seguites temas: 1- Combinações na última fila; 2- Jogadas candidatas; 3- Bispo mau; 4-Troca de peças; 5- O peão passado em meio jogo; 6- O ataque duplo; 7- Método de exclusão; 8- Zugzwang; 9- Melhora das peças; 10- Captura de uma peça. Claro que traduzi esses sub-títulos para o português, uma vez que o livro é em espanhol. O autor ainda apresenta no começo do livro 30 diagramas e convida seu leitor a começar por solucioná-los, sendo que marcará o resultado e poderá saber seu ELO, sua força enxadrística, já de cara. Ou seja, o livro não enrola, já envia o estudante diretamente ao produtivo trabalho.  O livro não possui partidas completas, como eu disse, são posições de meio - jogo e finais apenas, mas muito bem escolhidas da prática enxadrística. Quem vencer este livro estará com certeza evoluindo de nível. Recomendo, aliás, todos os livros desse GM, que junto com Dworetsky é um dos maiores e mais preparados treinadores do mundo. 






51. La Planificación del final, I e II, M. I. Shereshevsky y L. M. Slutsky. Tradução para o espanhol de Antonio Gude, Editorial La Casa Del Ajedrez, Espanha, Volume I de 2002 e Volume II de 2003. O volume I tem 244 páginas, o volume II tem 233 páginas. Notação algébrica. Há uma grande confusão entre os enxadristas a respeito de como estudar as aberturas no xadrez. Há quem prefira livros que abordem todas as aberturas, mas que contenham apenas 10 ou 15 lances de cada, com suas respectivas variantes, sem contudo apresentarem partidas completas. Hoje há também livros de chaves de aberturas, onde se pode estudar todas as aberturas quase até o meio jogo. Há quem ensine que não se deve memorizar lances de aberturas, deve-se apenas compreender "as ideias" de cada abertura. Mas o teórico Mihai Suba, no livro Estrategia Dinámica en Ajedrez, diz que esses mesmos treinadores, quando tem de ensinar alguns esquemas de aberturas aos seus pupilos, mandam-nos memorizar sequências de lances (?). Bem, a forma certa de estudar aberturas, na minha mui modesta opinião, é repassando partidas completas, bem comentadas, onde algum competente treinador mostrou: A) A abertura usada, inclusive chamando a atenção do estudante para as estruturas de peões que cada abertura apresenta; B) Os possíveis planos para as brancas e negras, em cada abertura, o que vem a ser a ligação da mesma com o meio-jogo; C) Os finais que cada abertura, se bem conduzida a partir do meio-jogo, pode originar. Pois um bom começo para quem já estudou um bom livro de finais, um bom livro de tática, um bom livro de estratégia e deseja, de fato, aprender aberturas, são esses dois livros do Shereshevsky e do Slutsky. O volume I trata das aberturas abertas e semiabertas, já o II trata das aberturas fechadas. Ambos os livros, de uma maneira bem simples de explicar, são coleções de partidas comentadas pelos autores. Eu não contei, mas deve haver entre 80 a 100 partidas comentadas em cada um deles. Mas a concepção da obra, seu enfoque principal, é mostrar que é possível construir um final vencedor já a partir das aberturas. Parece um pouco com a ideia do livro comentado no item 14 deste tópico, o Da Abertura ao Final, do Mednis (traduzi aqui o título para o português, já que é também escrito em espanhol), mas com a diferença que o livro do Mednis pretende passar por alto o meio - jogo e mostrar linhas capazes de levar rapidamente a um final em que as brancas vençam, por meio de simplificações. Já nestes dois livros, os autores não escolhem partidas que evitem complicações de meio-jogo, pelo contrário, eles abordam as escaramuças da fase média das partidas. Mas a ideia central dos dois livros é ensinar aberturas capazes de planificar, de originar finais vencedores e, o mais importante, ensinar aberturas chamando a atenção do estudante para as estruturas de peões que as principais aberturas originam, o que a meu ver é muito mais inteligente do que simplesmente apresentar sequências de lances de aberturas. Mesmo que haja transposição, uma vez que o estudante aprendeu os segredos das estruturas de peões, não terá problemas ao lidar com o meio - jogo e com o final. O volume I trata das aberturas siciliana com suas principais variantes (senti falta da minha Alapin), Ruy López, Francesa, Caro-Kann, Pirc-Ufimtsev e ainda aborda o Gambito do Rei, Gambito Evans, Defesa Philidor, Petrov etc.









No volume II, os autores mudam o esquema e em vez de dividirem os capítulos por aberturas, preferem dividir por estruturas de peões e por estratégias em aberturas fechadas. Isso acontece porque nas aberturas fechadas é comum haver transposição de lances, logo, é muito mais inteligente estudá-las a partir das estruturas de peões. Então os autores vão estudar, por exemplo, a abertura peão de dama, mas a partir da estrutura de peões.
Na variante que surge com a troca de peão dxe5, vão estudar partidas fechadas em que ocorrem maioria de peões no centro ou na ala da dama, a formação Maroczy, a formação Erizo, aberturas fechadas que originam um peão d isolado no centro, a importância do bispo na Catalã etc.

Você pode achar estranho isso: o volume I é dividido certinho em aberturas A, B, C... Já o volume II, os autores não fizeram isso. Eu esperava, por exemplo, no volume II, justamente o que mais me interessava, devido ao meu estilo, uma divisão assim: Abertura Peão de Dama (ortodoxa, eslava etc), Defesa Índia do Rei, Índia da Dama, Defesa Nimzowitch, Ataque Trompowsky... Nada disso! Os autores resolveram classificar as partidas, no volume II, com base na estratégia de meio-jogo. Entretanto, no final do livro, há um índice das aberturas fechadas, se o estudante sentir mesmo necessidade de um estudo metódico das partidas por aberturas. Em ambos os livros, continua aquela atenção para os finais que surgem. Logo, eu diria que esses dois livros são de aberturas e de finais, pois abordam ambos, mas da maneira como eu disse, comentando partidas completas. É a maneira correta de se estudar aberturas. Shereshevsky, autor também do excepcional livro Perfeccionamiento en el Ajedrez, sempre foi um especialista nelas, pelo que recomendo ambos os livros aqui no meu blog. Críticas? Aqui vem o chato do blogueiro, né? (rs). Não vi ser metodicamente exposta a tão importante estrutura Stonewall e notei que as partidas são de mestres e grandes mestres antigos (o mais novo, é o Karpov). Ou seja, prepare-se para estudar partidas do Tal, Fischer, Geller, Szabo, Portish... Para um livro lançado em 2002, era para ter partidas de GMs mais modernos. Mas a gente entende que é uma tradução de uma obra mais antiga, para o espanhol. As partidas mais recentes do livro, são da década de 1980! Ora, em 2002 estavam já na ativa, Anand, Kramnik, Leko, Shirov, Ivanchuk, Gelfand, Polgar, Kasparov... Não há nenhuma partida desses jogadores nesses livros, mesmo a edição espanhola sendo de 2002. Também o título engana. Pensamos que se trata de um livro de finais. Não é! São livros de partidas comentadas. Nesse caso, os finais poderiam, pelo menos, ser melhor dissecados, com variantes, com diagramas outros de possíveis finais diferentes para o mesmo final de partida. Mas o livro não disseca os finais de forma exaustiva.


52. Perfeccionamiento en el Ajedrez, Mijail Shereshevsky, 397 páginas, notação algébrica. Aproveitando o ensejo, no qual comentei os dois livros do item 51, do mesmo autor, comentarei esse. Eu sempre aprendi que primeiro se estudam os finais, as táticas, as estratégias e depois se estudam as aberturas. Isso porque enquanto o enxadrista não define um estilo de jogo, é perda de tempo estudar esquemas de aberturas que não condizem com seu estilo. Contudo, atualmente os modernos treinadores apresentam aos seus alunos um pouco de cada fase da partida, em treinamentos semanais e já lhes apresentam certos esquemas de aberturas, para que joguem torneios. Shereshevsky é um dos poucos treinadores que dizem que deve-se começar estudando o xadrez pelas aberturas. Essencialmente esse é um livro de aberturas, onde o autor apresenta valiosos estudos sobre a Defesa Tchigorin, o Gambito Budapeste, o Gambito da Dama, Defesa Eslava, Defesa Nimzowitch, Abertura Espanhola, Defesa Francesa, alguns esquemas de aberturas de uso limitado (para bom entendedor, aberturas de uso duvidoso). As 250 primeiras páginas do livro são usadas para desenvolver esses estudos. Depois há um delicioso capítulo sobre a herança clássica da estratégia, trecho onde o autor elogia o livro Manual do Jogo de Xadrez, do Lasker apresenta dicas importantes sobre o que mudou, em se tratando de estratégia moderna, sendo quase 100 páginas dedicadas à estratégia antiga e atual. E o livro encerra com Estudos de Finais, com cerca de 70 diagramas de finais, onde o autor apresenta interessantes estudos, principalmente de finais de torres. Eu recomendo o estudo desse livro, por ser o seu autor um dos mais importantes treinadores. Claro que atualmente estamos vendo a ascenção de treinadores como Dvoretsky, Jacob Aagaard, John Watson, Andrei Istratescu... Mas Shereshevsky tem seu lugar de honra entre os maiores treinadores da geração anterior.

53. El método en ajedrez - Un concepto nuevo en la Estrategia Moderna, GM Iossif Dorfman, Editorial Chessy, 191 páginas, notação algébrica. Mencionei no comentário anterior, alguns dos maiores treinadores do mundo e estava me esquecendo desse genial treinador russo, hoje naturalizado francês, Iossif Dorfman. Ele fez parte da equipe de Kasparov, quando este enfrentou ao Karpov, pelo campeonato mundial. Depois disso, treinou o jovem Etienne Bacrot, francês, ajudando-o a se tornar um forte GM. Sobre este livro, confesso que eu o via com uma certa suspeita, porque o autor informa ter descoberto um método de treinamento em estratégica, que se resume a levar o estudante a identificar quando surgem "posições críticas" em uma partida, e ser capaz de escolher a melhor decisão. Só que a meu ver, Dorfman não consegue transmitir essa sua epifania aos seus leitores. Certamente, se ele é capaz de identificar esses momentos críticos, isso ocorre porque é um calejado GM, que já estudou milhares de posições, jogou milhares de partidas, esteve na equipe de Kasparov. Então eu via com certo receio essa promessa do Iossif, que me parecia pretenciosa demais, como de fato, é! Não acredite que ao término do estudo apenas desse livro, você será capaz de fazer o que o autor promete, caro leitor. Mas é inegável que o livro do Dofman vale a pena ser estudado, para entender como raciocina esse, que junto com Dworetsky, é considerado um dos melhores treinadores do mundo do xadrez. O livro começa com uma pequena parte teórica, na qual o autor apresenta partidas completas e posições, em que ele tenta mostrar essa sua ideia de identificar a posição crítica. Nisso ele ensina como avaliar posições, de acordo com os modernos parâmetros estratégicos. Feito isso, vem uma parte do livro em que o autor chama de Aplicação Prática do seu método, onde temos 64 partidas comentadas, muitas delas do próprio Iossif Dorfman. Por fim, já no final do livro, da página 178 a 186 há mais umas 22 partidas sem comentários. Trata-se de um moderno livro de estratégia, na minha opinião, que pode ser estudado como um apanhado valioso de partidas do próprio Iossif Dorfman. No seu livro, o autor mescla conceitos da antiga e da nova estratégia. Só não espere compreender e por em prática esse conhecimendo das tais posições críticas, porque  só pelo estudo deste livro, isso não será possível. Ah! Achei interessante destacar uma parte da obra, onde o autor mostra quando não se deve trocar damas. Esse tema é importante, porque tenho visto algumas partidas, claro que de amadores iguais a mim (rs), onde o jogador mesmo tendo uma posição inferior, e aqui eu digo inferior posicionalmente, não materialmente, o mesmo vai e troca sua dama,  que seria uma peça importante para se tentar um equilibrio posicional. Lição valiosa essa, que só achei nesse livro. Portanto eu recomendo.

54. Mejore su ajedrez posicional, Carsten Hansen, Editoral Casa del Ajedrez, 2008, 222 páginas, em notação algébrica, em espanhol. Neste tópico aponto os melhores livros de estratégia, antigos e novos. Pois na minha opinião, uma compreensão mais abrangente dessa fase do jogo, só ocorrerá estudando o antigo e o novo. Este é um bom livro moderno de estratégia. O livro se divide em quatro partes: 1) Conceitos gerais, onde o autor aborda sobre como entender os desequilíbrios, a iniciativa, como se aproveitar das debilidades; 2) O valor relativo das peças, tratando de bispos e cavalos, torres ativas, a qualidade, valor da dama; 3) Peões em ação, debilidades estruturais, sacrifícios de peões e 4) As grandes decisões, onde e como atacar, exercícios e soluções dos mesmos. Alguns dogmas da velha estratégia, foram revistos, tendo sido relativizados certos valores e maximizados outros. Atualmente, para se avaliar corretamente uma posição, analisa-se a segurança do rei, a estrutura de peões, a coordenação entre as peças, se existem peões ou peças desprotegidos, se há casas débeis e o que o jogador faria caso fosse o adversário (profilaxia). Há mais elementos, mas esses tem sido os principais, aliados ainda à iniciativa, quem possui iniciativa, maior espaço no tabuleiro etc. Esse livro, usando exemplos de partidas atuais e antigas, mostra uma nova visão estratégica de jogo, recomendo portanto o seu estudo. Carsten Hansen é um Mestre FIDE danês, que vive atualmente em Nova Jersey. Este é o seu quarto livro e já vi outras boas obras, escritas por Hansen, infelizmente ainda em inglês, apenas.

55. Secretos del juego posicional en ajedrez, Mark Dvoretsky, Ediciones Merán, 2004, em espanhol, 243 páginas, notação algébrica. Há autores que colocam nas capas de seus livros "nível avançado", quando na verdade seu livro melhor se enquadraria no nível médio (veja o caso do livro Manual para jugadores avanzados, de A. Suetin, Ediciones Club de Ajedrez, que mais se adequaria ao nível intermediário)... Há autores que humildemente situam seus livros no nível médio, quando na verdade são de nível avançado (por exemplo o livro comentado no item 24, Combinational Motifs, Maxim Blokh, que vem a ser um avançado livro de combinações, que exige muito esforço de quem o estuda) e há livros que todo mundo diz que são para nível avançado e são mesmo! Esse é o caso deste livro de Mark Dvoretsky. Trata-se de um estupendo e moderno livro de estratégia, mas que o estudioso não se engane, pois para estudá-lo com aproveitamento, terá de ter passado por outros livros de estratégia já comentados neste tópico, como o Segredos da Estratégia Moderna, do John Watson. Mas, não apenas isso, pois certos diagramas exigem de quem estuda, também uma já treinada visão tática! Eis aqui um grande segredo para se aproveitar o estudo de livros avançados de estratégia: se o estudante não estudou pelo menos um bom livro de táticas, se não venceu um bom curso de táticas, terá dificuldades de resolver diagramas de livros avançados de estratégia, uma vez que certas posições não prescindem dessa visão e dos cálculos, um olhar treinado a enxergar as possibilidades táticas da posição.

Esse vem a ser o 3o. livro da Coleção Escuela de Ajedrez Excelente, e vem a ser, sem dúvida alguma, um dos melhores livros de Dvoretsky, que como já disse em outras resenhas, é um destacada treinador.
Dvoretsky treinou Artur Yusupov, Sergei Dolmatov, Alexei Dreiev entre outras estrelas do mundo do xadrez. É adepto do trabalho duro e do estudo atento de posições concretas. Seus livros sempre tem posições com múltiplas análises de variantes e sub-variantes, além de exercícios, nos quais o autor convida o estudante a responder: como as brancas (ou pretas) devem jogar? Só que não é fácil responder a essas perguntas, porque o autor escolhe partidas modernas e normalmente complicadas. Este livro possui 118 questões técnicas, desenvolvidas ao longo do texto e 61 complexos exercícios analíticos, que irão exigir do estudante uma disciplina, uma dedicação, uma frequência de estudos realmente intensas. O autor enfatiza a profilaxia (jogar antecipando-se aos lances do adversário), aborda o que vem a ser elaborar um plano estratégico, trata do choque de planos, entre outros temas importantes da estratégia atual. Está aqui um livro que coloquei em capa dura e guardarei com muito carinho. O autor escreveu, ainda, o Secretos del Juego Tactico en Ajedrez, outro livro impressionante, que complementa este. Recomendo o estudo de ambos para quem almeja de verdade, a maestria nesse esporte, arte, ciência, que é o xadrez.
Detalhe que sinto que preciso mencionar: este livro ensina de verdade, a planejar. Coisa rara em livros de estratégia, como já disse quando comentei o El Ajedrez de Torneo, do Bronstein.
Interessante: a quantidade de livros que usam essa palavra "Segredos"... Temos o Segredos da Moderna Estratégia, do Watson; temos esse Secretos del Juego Posicional; há o Secretos del Ajedrez Posicional, do Marovic... E outros, que não me recordo agora.  Será que essa palavra tem poder de atiçar a curiosidade humana?

56. Secretos de la táctica en ajedrezMark Dvoretsky, Ediciones Merán, 2003, em espanhol, 322 páginas, notação algébrica. Conforme mencionei no item anterior, Dvoretsky também assina esse livro, sendo mais um da sua festejada coleção Escola Superior de Xadrez, que começou com o livro Secretos del entrenamiento en ajedrez, livro esse que foi escolhido como o melhor de 1991, pela Federação Britânica de Xadrez. Vale tudo que escrevi para o livro anterior, ou seja, mais um livro para o jogador avançado. O que vem a ser tática? Pachman a define como " (...) um complexo de métodos e medidas para fomentar o desenvolvimento de un plano estratégico próprio e para impedir ou retardar o do adversário" (Táctica moderna en ajedrez, volume 1, 1972, pág. 13). De uma forma simples, podemos definir a tática como uma sequência de lances forçados, que um dos jogadores pode obrigar o outro a fazer, que pode culminar com vantagem, com vitória, ou até mesmo com o erro de quem calculou mal e apesar de ter forçado uma sequência de lances, quem terminou pior foi justamente quem forçou esses lances. Estou ciente de que nesta definição que propus, meio que confundi tática com combinação, mas é que não está bem clara a diferença de uma para a outra. Vemos em livros de tática, diagramas de combinações e vice-versa. Da mesma forma, no livro de Dvoretsky há muito de combinação, que ele chama de tática. Da mesma forma que no livro anterior, há partidas inteiras, comentadas, e há também diagramas para resolver exercícios. Com partidas de jogadores modernos, muitas do próprio Dvoretsky, eis aqui um livro moderno e excelente, para o jogador avançado. Talvez melhor fosse classificado como livro de cálculo, pois a proposta dele é mais ampla do que apenas ensinar táticas, nos clássicos temas da mesma, como obstrução, desvio, cheque descoberto etc.

57. Cuestiones sobre teoría moderna en ajedrez. Isaac Lipnitsky, Editorial Chessy, Espanha, 2011, 228, páginas. A ideia, quando construi esse tópico, foi render justa homenagem aos bons livros de xadrez, antigos ou novos. Isso porque, na minha opinião, um bom livro de xadrez nunca envelhece. Mas para isso, tem de ter ideias originais, uma visão realmente interessante do xadrez e ser elogiado por mestres e grandes mestres. Esse é o caso do livro de Lipnitsky, que foi elogiado (ou pelo menos, citado) por jogadores de estilos tão diferentes quanto Bobby Fischer e Botvinnik, dois campeões mundiais.
Isaak Oskarovish Lipnitsky teve uma vida curta e trágica. Conforme narrou Karpov, que escreveu o prólogo, Lipnitsky, após combater por seu país (URSS) na Segunda Guerra Mundial e voltar condecorado à sua tranquila vida, chegou a participar do 18o. Campeonato da União Soviética, em 1950, quando ficou na frente de figuras como Smislov, Geller, Petrossian... E na sua frente, apenas Keres. Lipnitsky tinha somente 27 anos e eis que fica doente, com leucemia. Faleceu em 1959, com apenas 36 anos.
Mas escreveu esse livro, que se tornou legendário! A primeira edição foi lançada em 1956, com tiragem limitada e com muitos erros. Esgotou-se rapidamente a primeira edição.
Parecia fadado ao ocaso, mas eis que Fischer e Botvinnik começaram a elogiá-lo: Lipnitsky recomenda... Lipnitsky cita...
Sinal de que se trata de um livro sério e com ensinamentos originais.
A princípio, essa obra era conhecida apenas do pequeno círculo dos campeões, mas graças ao Editorial Chessy, podemos agora estudá-lo e também nos deslumbrarmos com as análises de Lipnitsky.
O livro possui 68 partidas (e fragmentos de partidas) comentadas, além de um anexo, contendo 12 partidas do Lipnitsky, que os editores resolveram incluir, para enriquecer a obra e prestar justa homenagem ao autor.
A edição original tinha 120 páginas de um estudo da variante ragozin, da abertura peão de dama, que Lipnitsky dominava muito bem. Foi excluída pelos editores, a meu ver com razão, pois novos estudos surgiram sobre essa variante.
O livro é organizado em capítulos, como "sobre a abertura", "O centro", "centro e flancos", (...) "valoração da posição", "o sentido posicional", "plano desde a abertura" etc. Há quem diga que esta obra vem a ser uma extensão dos conceitos desenvolvidos por Nimzowitch, em seu livro Meu Sistema.
Bem, alguma razão, além de tudo que escrevi, justificou que editassem novamente esse livro, em espanhol e em inglês, após sua primeira edição de 1956.
O livro traz segredos preciosos do nobre jogo, segredos nem sempre facilmente compreensíveis pelo iniciante, mas preciosos.
Mergulhem de cabeça nessa obra e verão que vale muito a pena.

58. Como aprender de las derrotas, Anatoly Karpov, Editora Gedisa, 1986, 222 páginas, em espanhol, notação algébrica. Talvez esse livro não devesse estar nesta lista, mas como é um dos meus preferidos e minha lista é pessoal (rs), resolvi incluí-lo. Normalmente os mestres e grandes mestres no xadrez, quando escrevem um livro, escolhem as suas melhores partidas, aquelas em que venceram seus adversários de maneira espetacular ou que pelo menos seus adversários tiveram dificuldades em retirar deles, um empate! Eu nunca vi um grande campeão escrever um livro sobre as partidas que perdeu e por que perdeu. Karpov é um jogador que possui muitos livros sobre suas melhores partidas, seja escritos por ele, seja por terceiros. Podemos achar livros sobre a história enxadrística de Karpov, desde quando despontou em seus primeiros torneios, até quando enfrentou por dezenas de vezes, Garry Kasparov, seu lendário adversário. Pois Karpov escreveu também esse pequeno livro contendo suas principais derrotas. Trata-se de um exercício de humildade, a meu ver. O livro é fácil de estudar, pois as partidas foram publicadas em formado súmula, sendo que há as duas colunas de lances, em cada página e poucos comentários. São aproximadamente 62 partidas, onde podemos notar que Karpov, mesmo quando erra, seus erros são sutis, nada grosseiros. Naturalmente houve outras derrotas depois da edição desse livro, sendo que a partida mais atual nele, parece-me ser de 1986, simplesmente porque no xadrez não há como ganhar em todas as vezes que jogamos, por melhor que nos preparemos. Mas fica o registro de um livro diferente, curioso, que só mesmo um grande vencedor poderia escrever, sem ser espezinhado por isso, por seus adversários, pois que venceu muito mais do que foi derrotado.



59. Mosaico Ajedrecístico. A. Karpov e E. Guik, Editorial Raduga, Moscou, em espanhol, 1984, 438 páginas, notação algébrica.





Eu sempre sonhei ter esse livro. Foi no ano de 1987 ou 1988 que eu jogava xadrez nos campeonatos do Colégio Objetivo, aqui de Dourados, Mato Grosso do Sul e vi um jogador estudando partidas desse livro. Eu pedi para folheá-lo e o dono, muito de má-vontade (rs) me permitiu. Foi quando percebi que se tratava de uma obra-prima, diria mais, de um bonito livro de xadrez, cheio de ilustrações, mas o capítulo que mais tinha me impressionado à época, foi um que mostrava movimentos geométricos das peças. Achei aquilo sensacional! Pensei, na minha inocência, que se tratava de uma nova fórmula científica para "jogar melhor" e imaginei que a partir daquele instante, ao jogar contra o dono do livro, eu estaria irremediavelmente perdido, pois que ele dominaria aquele conhecimento e eu não. É assim que a gente acaba comprando muitos livros de xadrez e estudando poucos, na verdade, rs, mas prometi a mim mesmo que iria adquirir esse livro, algum dia. 
Os anos passaram e acabei esquecendo da promessa e do livro, mas ao vê-lo em formato digital, em PDF, na rede internet, eu resolvi comprar um exemplar na Estante Virtual, antes que esgote essa edição.
Finalmente meu Mosaico Ajedrecístico chegou hoje, via correios. Que alegria, amigos! Parece que cumpri uma antiga promessa... Veio sem a contracapa, uma pena, pois a contracapa (essa da foto), é linda e dá outra aparência ao livro. Veio com as folhas amareladas e com capa dura um pouco encardida, na cor azul-piscina desbotada, que em 1984 devia ser mais viva e cativante, mas veio.
Falemos do livro em si. Esse livro divide-se em 3 partes: I. Ajedrez como deporte, capítulo esse que contém todo o Match de Merano, de Karpov x Korchnoi, com suas 18 partidas, muito bem comentadas por Karpov, um sub-capítulo intitulado Ser ou não Ser, com algumas partidas e posições, breve histórico dos matches mundiais, torneio estelar de Moscou, cinco partidas espanholas, cinco sicilianas e cinco partidas fechadas, manobras enigmáticas, como ganhar perdendo (trata esse item de uma nova forma inusitada de jogar xadrez, proposta por Bronstein a Gik... funciona assim: a ideia é entregar o maior número de peças possível, ganha quem ficar sem nenhuma peça no tabuleiro primeiro, o rei poder ser capturado sendo que a partida não acaba aí e a tomada de peças é obrigatória, coisa de louco! rs); II. Ajedrez como arte: 15 melhores partidas, cinquenta miniaturas notáveis (são diagramas de finais, não partidas curtas), grande mestre sacrifica a dama, miniaturas de campeões mundiais (aqui sim, temos algumas partidas completas e curtas), diagramas insólitos, novamente possui curiosidades no tópico que já ocorreu no item anterior, intitulado "para seus momentos de ócio"; III - Ajedrez como ciência: aqui estão aqueles diagramas que tanto me encantaram na minha adolescência, diagramas em que E. Guik irá demonstrar que as peças possuem movimentos geométricos interessantes, mas há ainda um capítulo sobre surpresas na abertura, outro sobre psicologia no xadrez, um dos primeiros artigos sobre computadores e xadrez, entre outros temas.
Como podem ver, a ideia do livro é analisar o xadrez enquanto esporte de competição, enquanto arte e enquanto ciência, tarefa essa muito complexa. Penso que ainda está por ser escrito o livro que conseguirá se desincumbir bem de enfocar com profundidade e de maneira que convença, essas três facetas do xadrez, mas Mosaico chega bem perto de conseguir isso.
Que livro, senhores (e senhoras), que livro! Valeu toda a espera de muitos anos para adquiri-lo. Deve ser um dos melhores livros escrito por Karpov, dai porque eu recomendo aqui no meu blog. Claro que naquela parte científica, da geometria, eu estava enganado! Não há nenhuma fórmula mágica para vencer, exceto o estudo e nesse caso, Mosaico Ajedrecístico ajuda muito, porque possui muitas partidas comentadas, estudo de finais, de posições insólitas e artísticas.
Se não puder adquirir uma edição física, não se aflija, caro leitor. Alguém escaneou o livro (alguém que não eu, bem entendido) e postou na rede nesse link:
https://e-nautia.com/erich.g/disk/LIBROS%20DE%20AJEDREZ%20EN%20PDF/107698.pdf

Que mais a dizer? Dizer que os diagramas do livro são grandes e muito nítidos, a anotação é no sistema algébrico. Volto a destacar que se trata de uma edição russa em espanhol, algo raro. Quem traduziu direto do russo para o espanhol foi Eduardo Popok, com ilustrações (o livro todo é muito ilustrado) de Mijail Krakovski.

NOTAS IMPOSTANTES AO  TÓPICO:

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45 comentários:

  1. Muito obrigado pelo tempo e esforço dedicado para criar esta lista fantástica. Adicionarei alguns destes livros na minha lista de leitura =).

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  2. Muito bom, tem como tu recomendar os melhores livros sobre meio jogo no xadrez em espanhol ?

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    1. Boa parte eu já citei nesta própria lista que fiz. Isso porque a maioria dos bons livros de meio jogo, ou estão em espanhol ou em inglês. Mas na minha opinião, os melhores livros de TÁTICA em espanhol são: Tactica moderna en el ajedrez 2 volumes do Pachman (mesmo antigos, são muito bons); Gane combinando, do Volkhard Igney, Aprenda tácticas de ajedrez, do Nunn, Secretos de la tactica en el ajedrez do Dvoretsky...

      Já os de estratégia, parecem imprescindíveis: (eu recomendo que estude pelo menos um livro clássico da antiga estratégia ANTES de estudar os modernos a seguir, como Estrategia moderna en el ajedrez do Ludek Pachman, mas isso se de fato você nunca estudou nada de estratégia na vida) Los secretos de la estrategia moderna en ajedrez, do John Watson... Mejore su ajedrez posicional do Carsten Hansen...Problemas de estrategia do Alfonso Holmes e Amador Nava... Secretos del juego posicional en ajedrez do Mark Dvoretsky... Estrategia creativa também do Alfonso Holmes e, por fim, os 3 livros do Jacob Aagaard: Maestria en ajedrez, Maestria en el calculo, Maestria em la tecnica.

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  3. Td bom professor André?
    Meu nome é Jean, sou do Espírito Santo, sou damista, e, mesmo não sendo enxadrista (ainda rs), acompanho o universo do xadrez e sua história.
    Gosto muito dos livros destes nossos esportes mentais, e, gostaria de saber onde consigo todos ou senão a maioria destes livros.
    Blog muito bom viu, parabéns.

    Um abraço e fique com DEUS sim.

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  4. Olá, Jean. Hmm, não posso estimular a pirataria, rs, senão porque é crime, mas também porque sou professor de direito penal. Já pensou no paradoxo que seria isso? Mas acredito que se você pesquisar no google, a maioria dos livros que resenho, tem versões em PDF para baixar. Aí você baixa, imprime e encaderna. Pode até fazer capa dura em gráfica. Fica igual ao livro. Sobre vendedores, mesmo SEM GANHAR NADA COM ISSO, logo, NÃO É COMERCIAL MEU, eu recomendo esse site: http://www.xadrezmagistral.com.br/livros/livro092.html
    Compro livros deles há mais de 25 anos! E sempre cumpriram com o combinado. Pode até pagar adiantado, que eles mandam os livros.
    Em sites como Saraiva, Americanas, Cultura, você acha diversos livros de xadrez, nacionais, inclusive com descontos.
    Espero ter ajudado!

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  5. Esclareço que extrair uma cópia de um livro, para uso privado, não é crime. Vide artigo 184, parágrafo 4o, in fine, do código penal brasileiro. Logo, não estou incentivando ninguém ao crime.

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    1. Muito obrigado pela informação sim.

      Um abração!

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  6. Po André, que blog incrível!
    Um privilégio você nos apresentar tais livros.
    Creio que estou trilhando um bom caminho:
    Xadrez Básico (que me deu uma base geral, inclusive de finais), Seirawan (Táticas), Estratégia Moderna do Xadrez (em breve finalizo) e Meu Sistema (em breve inicio). Sei que vou ter de rever finais, com um livro mais específico; e tática, com um livro mais denso.

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  7. O sr. conhece o livro Tratado General del Ajedrez ? se sim, qual a opinião sobre ele.

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    1. Conheço. Inclusive tenho os 4 livros dessa coleção, originais, em minha estante.
      Eu acho que ainda são estudáveis, pelo menos os dois últimos tomos.
      Mas você deve lembrar de duas coisas: é um clássico e já existem erros detectados em alguns diagramas.
      Dê uma lida nessas matérias desse blog:
      http://la-morsa.blogspot.com.br/2014/04/otra-omision-del-libro-ii-de-grau.html
      ...
      http://la-morsa.blogspot.com.br/2014/04/error-del-libro-de-grau.html
      ...
      http://la-morsa.blogspot.com.br/2014/04/una-posicion-simpatica.html
      ...
      Nesse blog, o autor informa que a coleção do Grau foi atualizada pelo GM Oscar Panno, inclusive ele a colocou no sistema algébrico.
      Se for estudar essa coleção, preferir a edição já atualizada por Panno.

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  8. Eu leio primeiro Six Hundred Endings ou Mis finales favoritos ?

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    1. Aí é opcional. Naturalmente talvez lhe incomode um pouco estudar o Six Hundred, sem que entenda bem o que os autores escrevem. Mas a ideia é justamente essa mesma! Repassar os 600 diagramas e jogar finais que nem uma máquina! Ao término do Six Hundred, você estará jogando finais intuitivamente. Claro que ainda PERDERÁ TORNEIOS, porque sem o estudo de um bom livro de estratégia, como O JOGO DE POSIÇÃO, ou ESTRATÉGIA MODERNA DO PACHMAN, ou o realmente moderno SECREDOS DA ESTRATÉGIA DO WATSON, ainda se perde torneios. Mas o conhecimento de finais, acredite, jamais você esquecerá.

      Já o livro do Karpov, Mis Finales Favoritos, é bom também, mas tem menos diagramas. Ou seja, esses mestres estudam entre 600 a 800 diagramas, num primeiro treinamento.

      Outro livro excelente, de finais, é o do Balashov, possui 800 diagramas, 200 a mais que o Six.

      Aí eu já acho demais.

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  9. Qual devo ler primeiro ? táticas do John Nunn ou Gane Combinando

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    1. Qualquer um. Mas se nunca estudou um livro de táticas, o Gane Combinando seria melhor, por ser mais didático.

      Os dois de tática do Pachman também são ótimos, mesmo tendo 40 anos de idade.

      Livros de tática nunca envelhecem. São como livros de equações matemáticas, na minha opinião.

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  10. Grande André! Primeiramente Parabéns pela lista, fantástico o seu trabalho. Tenho os livros do Pachmann e Meu Sistema, alguns livros de finais e o que considero os melhores livros de Xadrez (Garry Kasparov - Meus Grandes Predecessores Vol 1 ao 5) estranhei não encontra-los em sua lista. (Pode ser q tenha e eu não vi, rs). Abraço!

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  11. De fato, Thiers Camargo, eu não os citei na minha relação. Os motivos são vários:
    1) Eu, sinceramente, não considero Meus Grandes Predecessores digno de entrar na minha lista, que é pessoal, rs;
    2) Isso porque:
    2.1.) Possui longas (e chatas!) análises feitas por computador, que eu detesto e para mim, é essencial que um livro seja prazeiroso de se estudar;
    2.2.) Essa coleção está impregnada pelo que considero "a visão pedante de Kasparov", que critica alguns GMs que o precederam, injustamente, em alguns pontos;
    2.3.) A coleção é injusta com alguns que mesmo não tendo sido campeões mundiais, quase o foram, como Bronstein;
    2.4.) Kasparov se sente no direito de se vitimizar, no livro, em algumas partes, ou seja, o livro dele é mais sobre ele, afinal. Mesmo quando ele comenta "os outros", ele comenta ele;
    3) Cheguei a comprar 2 volumes da série, logo que saíram, mas não suportei estudá-los, com aquela longas sequências feitas por computador. Acabei presenteando um amigo xadrezista, com os dois livros e ele gostou, rsrsrs.

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  12. Claro que posso estar errado, aliás, é bem provável que eu esteja mesmo e seja levado por uma certa antepatia que tenho com Kasparov. Meus Grandes Predecessores é elogiado por muitos mestres e grandes mestres no xadrez.

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  13. Olá André, estou começando a estudar xadrez, gostaria de inicial com o El Camino a la maestria do Alberto Barreras Garcia, todavia, não o encontrei de maneira alguma, poderia me indicar aonde consigo a versão em pdf? procurei bastante e não encontrei.
    Desde já, obrigado e meus parabéns pela sinceridade e franqueza com que colocou algumas verdades sobre os "professores"que nada ensinam.
    Grande abraço!

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    1. Olá, Kaban.
      Então, não estimulo a pirataria de livros. Eu mesmo sempre prefiro comprar edições originais. Mas juro que tentei procurar o livro original EL CAMINO, do Barreras, em tudo quanto foi lugar e não achei. Aliás, se alguém achá-lo, original, avise-me que compro.
      Você pode baixar o livro no endereço abaixo:
      http://www.4shared.com/office/4mgdaRGhce/E_C_M_Barreras.html
      Grato pelos elogios, que sei não merecê-los.

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    2. Achei ele no site da editora: https://hispamer.online.com.ni/. Agora o site é meio confuso, não sei que unidade monetária é mostrada nos preços.

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  14. O antigo link do SIX HUNDRED expirou. O novo é esse:
    https://www.4shared.com/office/5CP204Uvce/Six_hundred_endings.html?

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  15. O senhor pode listar, de forma breve, livros em português de estratégia, finais, taticas e aberturas? Nivel iniciante, intermediário e avançado?

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    1. Caro Luan Kayck:
      A razão de eu indicar livros em espanhol é que temos, infelizmente, poucos livros de xadrez, bons, em português.
      Afinal, vivemos no país do futebol, né? Não no do xadrez.
      Mestres, Grandes Mestres não tem essa de não estudar livros em espanhol.
      Espanhol a gente que lê e fala português, entende facilmente. É só lembrar que apenas o Bispo, em espanhol eles chamam Alfil.
      Ou seja, recomendo que se esforce mais e vença essa barreira da língua.
      Mas, atendendo ao seu pedido, em termos, porque não temos tantos livros em cada fase, tipo iniciante, médio e avançado, vou indicar aqui alguns bons...
      Dicas gerais sobre como evoluir:
      - A arte da análise: a importância da investigação no xadrez, Luiz Roberto da Costa Junior, nível médio;
      De finais:
      - Fundamentos de Xadrez Finais, do Pachman, em português, editorial Presença (acha-se na estante virtual), nível médio;
      - Xadrez tratado geral, volume 3-finais, Paulo Giusti, nível principiante - médio;
      De tática:
      - Matrizes Táticas, do Rubens Filguth (um bom livro, de diagramas a resolver), nível médio;
      - Como calcular as táticas do xadrez, Valeri Beim, nível médio;
      De estratégia:
      - Meu Sistema, Ninzowitsch, Editora Solis, nível médio;
      - Estratégia Moderna do Pachman, acha-se em português, na estante virtual, nível médio;
      - Segredos da Moderna Estratégia, John Watson, em português pela Editora Ciência Moderna, para jogadores avançados, infelizmente a tradução para o português não foi das melhores...;
      - Estratégia do Xadrez em Ação, John Watson, mesma Editora, trata-se de uma continuação do primeiro, nível avançado;
      De aberturas:
      - Série dominando as aberturas do xadrez, do John Watson, excelente, em português, para jogadores avançados;
      - O Espírito da Abertura, Gerson Batista e Joel Cintra, nível principiante a médio;
      Coleção de partidas:
      - Meus Grandes Predecessores, Kasparov, coleção com cinco livros, com partidas dos principais campeões do mundo, comentadas, em português, Editora Solis, excelente, para jogadores avançados;
      - O Teste do Tempo, Kasparov, Editora Solis, avançado.
      - Duelos de Xadrez, Yasser Seirawan, nível médio.
      - Gigantes do xadrez agressivo, Neil MacDonald, nível avançado;
      - Minhas 60 Memoráveis Partidas, Bobby Fischer, pela Editora Record, só acha em sebos, estante virtual, nível avançado;
      Espero ter ajudado. Bons estudos!

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  16. Caro André. Sua lista é de grande valia e compreendo ser de muita particularidade e subjetividade listas de preferência, por isso jamais eu diria que tua lista está errada ou com itens em falta. Adquiri um livro, recentemente, chamado Matrizes Táticas, cujo autor é Rubens Filguth. Se puder , leia-o e faça uma crítica quanto a ele. Não é para quem nunca estudou xadrez, mas um livro muito bom para se treinar a memória visual do enxadrista, como você afirma. É olhar os diagramas e tentar resolvê-los ali na lata, sem tabuleiro ou peças. Outro livro legal em português é o chamado Estratégia, do Darcy Lima e Julio Lapertosa. Se puder dar um a lida e comentar o que achou, seria legal!!
    Grande Abraços!!

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    1. Caro colega enxadrista, primeiramente obrigado pelas dicas. Com relação ao livro Estratégia, do Darcy Lima e Julio Lapertosa, não o conheço. Procurei pra comprar e não achei nem uma edição à venda. Minto, achei uma, no mercado livre, por 300 reais, achei caro demais! Mas tá na minha lista de interesses. Já com relação ao Matrizes Táticas, conheci, inclusive há dez exemplares dele na biblioteca da UFMS em Campo Grande, onde curso mestrado. Cheguei a emprestar um exemplar e, claro, tive de devolver. Parece-me um excelente livro. Cheguei inclusive a indicá-lo aqui mesmo nestes comentários, acima, ao Luan. Dê uma olhadinha... Não o resenhei ainda, porque não o estudei, afinal, como era emprestado, tive de devolver pra biblioteca. Mas está, com certeza, na minha lista de preferências. Achei os diagramas do Matrizes, esquisitos, fora isso é mesmo um ótimo livro. No mais, grato.

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  17. Olá André obrigado por compartilhar sua experiencia, pois existem tantos livros de xadrez..que temos que filtrar, nao adianta se atolar de livros. Eu tenho o My Sistem vc acha que ele substitui o estudo do livro de estratégia do Pachman, ou eles se complementam? Um livro que acho bom para os totalmente iniciantes é o Xadrez para Leigos do James Eade, ensina desde os movimentos das peças até as demais fases do jogo (superficialmente) Obrigado pela atençao.

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    1. Olá, Miguel Eduardo. Eu entendo que o Meu Sistema, do Nimzowitch, substitui razoavelmente o Estratégia do Pachman, sendo que após estudá-lo, você já poderia estudar algum livro mais moderno de estratégia, como o Moderna Estratégia do John Watson. MAS... Se você ainda assim quiser "perder um tempo" estudando o Estratégia do Pachman e sobretudo os dois volumes Tactica Moderna en Ajedrez I e II do Pachman, acredite, isso só melhorará o seu xadrez. Porque há lições neles que não tem no Meu Sistema. Como já respondi a outros leitores, há 3 livros clássicos de estratégia que todo enxadrista deveria ver (4, se formos contar o Tratado do Grau): Jogo de Posição do Eliskases, Estratégia do Pachman, Meu Sistema do Nimzowitch. Cada um deles ensina uma coisa que o outro não ensina. Por exemplo:
      - O estratégia do Pachman ensina ataque da minoria, jogo psicológico, quando se deve e quando na se deve rocar, coisa que os outros não ensinam...
      - O jogo de posição ensina fraquezas de peões e lances de tempo, de forma muito eficaz, que os outros não ensinam...
      - Meu sistema ensina a estratégia das casas avançadas, a profilaxia, como usar as torres na horizontal.
      Ou seja, um completa o outro.

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  18. ola, tem link pra baixar o - Xadrez tratado geral, volume 3-finais, Paulo Giusti;

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  19. Amigo, vc teria o livro do Bronstein El ajedrez de torneo em pdf?

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    1. O que livro que você deseja pode ser baixado nesse endereço:

      https://www.4shared.com/office/X5w2Ge57ce/El_Ajedrez_de_Torneo.html

      Para baixar tem de estar logado no facebook.

      Abraços.

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  20. Ola Andre, obrigado pela atenção, vou seguir o metodo que indicou de estudar primeiro Finais, Taticas, Estratégia. Dizem que livros de partidas comentadas sao muito uteis também, qual vc recomendaria? (eu tenho um do Smyslov,) vc recomenda aquele do Alekhine? ou o Zurique 53 do Bronstein? Obrigado!

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    1. Olá Miguel Eduardo, recomendo que estude o ESTRATÉGIA MODERNA NO XADREZ, do Pachman, pois além de elevar o seu nível enxadrístico, possui partidas comentadas. A razão de se estudar tática e estratégia antes de se escolher algum jogador famoso e estudar suas partidas é que você precisa descobrir qual o seu estilo de jogo. Há jogadores mais agressivos, há jogadores mais posicionais, somente estudando tática e estratégia você vai definir isso. Estudar as partidas de Alekhine é ótimo e estudar o Zurich (El ajedrez de torneo) melhor ainda, recomendo este, por ser de comprovada eficácia.

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  21. Muito bom seu Artigo! Você conhece a coleção (9 Livros) do Arthur Yusupov (Boost your chess, Build up your chess e Chess Evolution)?

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    1. Conheço, são excelentes, cheguei a comentá-los no livro 50 do tópico acima, dê uma olhada. A meu ver, Clases de Ajedrez do Yusupov é um resumão dessa coleção e em espanhol, que tenho mais facilidade.

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  22. Algumas opinioes.. dizem que o livro do najdorf de zurich eh superior ao do bronstein.. eu sou um jogador posicional, mais amo o livro de partidas do alekhine. Que acho nao foi citado tambem.. a colecao do keres nao apareceu.. eh apaixonante. Por fim acho que a pratica de meu sistema eh melhor que meu sistema. Eu concordo em combinar pachman. Watson e ninzo e adicionaria nunn. Por fim eh de relevancia os luvros do jeremy silman o livro dele de finais eh espetacular para o iniciante ou medio..De qualquer forma grande trabalho

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    1. Olá Wagner Marinho, tudo bem? Obrigado pela visita e pelos suas indicações. Já li também que a obra do Najdorf é melhor que a do Bronstein no tocante à análise das partidas de zurich 1953, mas o do Brontein é indicado por muitos GMs, já o do Najdorf não, talvez por ser mais difícil de achar. Sobre Alekhine, há muitos compêndios sobre as partidas dele, há a sua coleção Herança, a qual livro você alude? Sobre Meu Sistema e Prática eu entendo que um pede o outro, a ideia central está no Meu Sistema e o desenvolvimento da ideia tá no Prática. Jeremy Silman é muito elogiado, do Nunn eu indiquei um de tática. Abração.

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  23. Magnífica lista! Este artigo será referência para gerações de brasileiros. Tanto é que aparece na primeira página do Google. Parabéns e obrigado.

    Agora um comentário irreverente. Pelo que eu entendi, esse Mosaico Ajedrecístico do Karpov é uma espécie de Manual de Xadrez (Idel Becker) em russo. ;-) Assim como o El Camiño a la Maestria é uma espécie de Xadrez Básico em espanhol. :-D

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  24. Parabéns pela lista. Quem foi o super GM da atualidade que perdeu uma partida por não ter estudado o livro do Pachman?

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    1. O GM So, que perdeu para um cubano.
      É só lançar ludek pachman na busca do blog e você vai achar a matéria sobre...

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  25. Prezado André, Parabéns pela iniciativa...excelente!! Gostaria de uma dica: procuro um livro que detalhasse os temas táticos com explicações de cada tema e exemplos, seguidos de exercícios para serem realizados. Lembrando que não gostaria nada muito complexo, coisa de iniciante, de base mesmo. Aliás, se tiver algo nessa linha específico sobre Finais e específico sobre Estratégia seria ótimo! Agradeço sua atenção, grande abraço!

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    1. Prezado Luiz. O melhor de tática nesse sentido, são os 2 volumes do Pachman: Tactica Moderna en Ajedrez. Compre os dois na estante virtual, são ótimos. Coisa de iniciante mesmo, sempre lembrando que você vai estar SE enganando, porque esses livros NÃO vão de fato melhorar seu jogo, apenas dar uma ilusão de que sabe da coisa, é a coleção do Yasser Seirawan, há no meio dela, chamado XADREZ VITORIOSO, um de tática e um de finais. De Estratégia, recomendo o Estratégia moderna do Pachman tb. Se você quer se iludir compre o do Seirawan tb. Finais: eu desconheço algo básico, mas acho que aquele de finais do Paulo Giusti supre. Abraços.

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    2. Caro Prof. André, muito obrigado por suas dicas! Abraços.

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